Lucila
A reunião com a coordenação para a apresentação do novo projeto do doutor Eric se estendeu um pouco mais do que ela previu. Seu estômago sensível roncava de fome, o apetite tinha voltado subitamente naquela manhã. Mal podia esperar para pedir que uma das cozinheiras servisse algo apetitoso em sua sala.
Todos perceberam que algo nela estava diferente, como uma aura iluminada que irradiava para todos os lugares. Lucy sorriu intimamente enquanto abria a porta de sua sala, o perfume inconfundível de rosas frescas atingiu. Sobre a sua mesa havia um grande buquê de rosas azuis em um embrulho sofisticado, digno da realeza.
Seus olhos marejaram, emocionada, ela praticamente correu até as flores e as abraçou, sentindo sua textura suave e delicada em seu rosto. O cartão quase se perdeu na profusão de botões azuis. Ela o resgatou com o sorriso trêmulo em seu rosto.
“Que o seu dia seja tão perfeito quanto você é para mim. Eu te amo minha linda gravidinha. Almoça comigo? V.D.”
Lucila fechou os olhos por alguns segundos, aspirando aquele cheiro incrível, maravilhoso. A primeira rosa azul que recebeu, foi dele, nunca houve outra pessoa que a presenteasse com algo tão lindo e que tocasse tanto seus sentimentos. Vitório a presenteou com essa flor que era desconsiderada por muitos, porque ela era da cor dos olhos de Lucila. Eles não se importavam se a cor era fabricada, para eles tinham um significado especial.
Ajeitando os botões em um vaso de cristal, ela as arrumava com cuidado enquanto pensava em quanto tempo deveria castigá-lo por esconder as coisas dela.
Inicialmente pensou em levar esse castigo por muito tempo, só para ter o gostinho de ver aquele homem bruto enlouquecer por não ter controle sobre ela. Mas a gravidez inesperada a deixou carente de tudo o que se referia a Vitório. De repente, tudo lembrava ele, seu corpo parecia clamar por seu toque, por seus beijos, por respirar seu cheiro e desfrutar de seu calor.
Como poderia fazer um greve de sexo, se ela mesmo só pensava nele com uma necessidade frenética.
“Eu preciso ser firme. – pensou, fechando os olhos. O sorriso charmoso, as mãos fortes segurando seu quadril... imagens impróprias surgiram em sua mente. - ... Meu Deus Lucila, controle esses hormônios!” Se repreendeu, sentindo seu corpo suar.
O barulho da porta se abrindo a interrompeu. Só Vitório entrava em seu escritório sem bater. Seu coração galopou de ansiedade, mas quando se virou se deparou com outra pessoa. Alguém que fez o seu sangue congelar nas veias e o seu sorriso desaparecer.
Lucy apertou o caule da rosa em sua mão, o espinho perfurou seus dedos, mas ela sequer sentiu o sangue escorrer.


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