Vitório
O cheiro delicioso de seu creme de cogumelos incendiou a cozinha.
Ludmila, a velhota tacanha, andava solicita e tolerável ultimamente, mesmo tendo dispensado os funcionários, ela permaneceu o ajudando com o jantar.
Uma ligação de Roberto chegou ao seu headset, ele atendeu e continuou limpando a truta que Lucila adorava.
- Alguma novidade? – perguntou assim que aceitou a chamada.
Um olhar e Ludmila saiu para verificar a mesa de jantar.
- Sim. A sua esposa recebeu uma visita curiosa hoje, achei melhor saber.
Suas mãos interromperam o movimento, deixando o peixe sobre a bancada.
- Diga logo.
- Calma aí. – ele riu, parecia inesperadamente de bom humor. – Você se tornou um pé no saco desde que soube que vai ser pai de novo.
- Estou atrasado com o jantar. Vá direto ao assunto. – Vitório praguejou.
- A governanta de Hans Andersen esteve no Instituto. Ficou por pouco tempo, mas agora está pesquisando sobre a infância da sua esposa, especificamente a árvore genealógica dela.
- Que porra! – Vitório praguejou, esmurrando o balcão de mármore branco. – Ela deve estar cumprindo ordens da vagabunda psicopata.
- Possivelmente. – Roberto disse. – Há uma atualização do homem contratado pelo Tiago Castro para proteger sua esposa. Ele relatou, há dois minutos, que o Doutor está muito comprometido na diversão da Sra. Darius, e parece empenhado em ficar sozinho com ela. Além disso, recebemos a conclusão da investigação sobre ele, é melhor você ver isso.
Aquele maldito idiota. O Doutorzinho não entendeu o recado.
Vitório lavou as mãos com bastante sabão, e as secou rapidamente.
- O que você quer que ele faça? Está aguardando suas instruções. – Roberto soltou uma risada breve. - Quer que ele de um jeito no imbecil, discretamente?
- Onde está a porra do relatório da investigação sobre o doutorzinho?
Perguntou pegando o celular e procurando por algum anexo na mensagem de Roberto.
- Te enviei por e-mail. É bem extenso, e você não vai gostar nada.
Abrindo sua caixa de entrada rapidamente, Vitório não respondeu ao amigo e abriu o anexo de vinte e sete páginas, incluindo imagens desde que o doutorzinho era um pivete.
A leitura foi rápida, avidamente as informações se tornaram um campo minado, culminando em uma enorme bomba atômica.


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