Com ele ao seu lado, como seu porto seguro, seu sol cálido e acolhedor, Lucy desceu as escadas até o térreo. Chegando à sala de estar, todos se levantaram, com uma taça de champanhe na mão; as crianças, com seus copos de suco, repetiram a ação dos adultos.
Por um instante, Lucila parou diante daquela cena simples e encantadora. As luzes amareladas do lustre se espalhavam como ouro líquido sobre os móveis de madeira polida, e a risada engraçada e contagiante de Maya já enchia o ambiente.
O coração dela pulsava forte, não apenas pelo carinho que recebia, mas pela ansiedade que carregava em si, essa revelação mudaria aquela noite para sempre.
Vitório apertou suavemente sua mão, encorajando-a em silêncio. O olhar dele dizia que não importava como estivesse nervosa, só precisava confiar nele, e tudo ficaria bem. Ele estaria ali.
— Até que enfim, vocês chegaram. Lucy você está incrível! — disse Ícaro com sua voz grave e um sorriso gentil, levantando a taça mais alto. — Essa noite está bem misteriosa, nem sabemos o que estamos celebrando, e vocês ainda demoram para aparecer.
Ela sorriu, sentindo o calor invadir suas bochechas. Mas em vez de agradecer com gestos, como fez a vida inteira, respirou fundo, e antes que qualquer outra palavra fosse dita, a voz saiu, ainda baixa e reticente. Mas bem mais clara do que nos outros dias.
— Obrigada... obrigada por virem, e por esperarem.
O som suave, carregado de emoção, preencheu o ambiente.
Por um segundo, o silêncio tomou conta.
O tempo pareceu parar. Taças suspensas, olhos arregalados, e até os pequenos congelaram seus movimentos. A incredulidade cedeu espaço ao êxtase quando Olavo correu para ela entre lágrimas, se jogando em seus braços.
- Mamãe...! - sua voz infantil foi abafada no colo de Lucy, quando ela recebeu emocionada, suas próprias lágrimas molhando os cabelos de seu filho. — Eu sabia que um dia ia ouvir a sua voz, mamãe. Eu sabia! — Ele levantou o rosto, radiante, e segurou seu queixo com delicadeza, como se temesse que fosse um sonho. — Você não faz ideia do quanto eu esperei por isso.
Lucila se ajoelhou, segurando o rosto do filho entre as mãos, e disse:
— Eu te amo, meu filho, meu Olavo. Mais do que tudo.
Ícaro, mais contido, apenas a envolveu em um abraço demorado. O calor do irmão de Vitório era sólido, firme, como uma muralha protetora. Ele, que foi seu único amigo por muito tempo, segurava a emoção de finalmente ouvir sua voz.
— Agora você tem uma nova arma para colocar o Vitório na linha, quando ele fizer besteira. — disse, tentando disfarçar o marejar de seus olhos, com humor.
Alberto, sempre elegante, levantou o copo em direção a ela com um sorriso meio torto disse, antes de abraçá-la.
— E eu achando que já tinha ouvido de tudo nessa vida. Quem diria que a doce Lucila, calada e misteriosa, ia nos surpreender assim... — Por cima do ombro dela, ele olhou para Vitório, o provocando. – E que voz, hem princesinha. Parece uma sereia...
- Cale a boca, idiota. – Vitorio rosnou, fazendo todos rirem de como ele caia fácil nas armadilhas de Alberto.
Lucila riu, um riso cristalino que fez todos se olharem, contagiados.

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