As crianças foram as mais efusivas. Maya pulou no colo dela, beijando-lhe o rosto.
— Eu sabia que você era uma fada de verdade! Só fadas têm esse tipo de magia! — disse, os olhos castanhos esverdeados brilhando como estrelas.
Tay, tímido, mas animado, pegou na barra do vestido dela.
— Fala meu nome, tia Lucy. Também quero ouvir. — pediu ansioso.
— Tay... — ela disse com ternura, e o menino vibrou, erguendo os bracinhos para o ar como se tivesse conquistado o mundo.
Lucila o pegou, sentindo os braços de Olavo apertarem sua cintura com mais força, ela olhou para baixo e sorriu. Afagando seus cabelos, ela segurou Tay no outro braço, enquanto ouvia uma das incríveis histórias de Maya sobre fadas.
Octávia, risonha, pediu o mesmo que Tay, e quando ouviu sua voz pronunciando o nome, correu para os braços da mãe, saltitando como uma pequena bailarina, gritando de felicidade.
Entre lágrimas e sorrisos, todos se encaminharam para a mesa de jantar, onde uma refeição farta os aguardava. O perfume de assados, temperos frescos e vinho se misturava ao calor humano da celebração.
Durante o jantar, Lucila e Vitório não conseguiam parar de trocar olhares. Ele parecia hipnotizado pelo som da voz dela, sempre que falava, e ela sentia-se leve, como se tivesse renascido.
— Olha só esses dois... — Samanta comentou, rindo alto. — Se continuarem assim, vão acabar esquecendo que tem mais gente na mesa.
— É verdade. — Alberto ergueu uma sobrancelha. — Não sei se estamos em um jantar de família ou assistindo a uma novela clichê em tempo real.
Ícaro, entrou na brincadeira e continuou.
— Espero que ao menos nos convidem para o casamento de renovação de votos, porque pelo olhar do Vitório, ele fará algo só entre os dois... De preferência em uma ilha deserta, onde Lucy pode encantar somente ele.
As risadas ecoaram, e até Olavo, entre uma garfada e outra, apertava a mão da mãe, como se não quisesse soltá-la nunca mais. Ele olhava para ela com uma devoção que fazia Lucila sentir o coração explodir de amor.
Todos assentiram, comovidos. A ideia se consolidava como algo que uniria ainda mais aquela família. Amélia começou a dar ideias de locais e possíveis planos de planta.
Enquanto o assunto ganhava forma, Lucila recostou-se no sofá, ao lado de Vitório. O braço dele a envolvia com naturalidade, e ela deixou a cabeça descansar em seu ombro. Sentia o coração pulsar em sintonia com o dele, uma melodia invisível que a embriagava.
Do outro lado da sala, Olavo brincava com Maya, Tay e Octávia, rindo alto, rodopiando entre almofadas espalhadas pelo tapete.
Lucila observou a cena, os olhos marejando sem que percebesse. Estava cercada de amor, um amor que nunca teve antes, cercada de risos alegres e genuínos, de amigos que se tornaram família. Tinha um marido que a olhava como se fosse a única mulher existente, um filho que a enchia de orgulho, e outro bebê crescendo em seu ventre.
Tudo parecia tão bom, tão perfeito, que um fio de temor deslizou por seu coração. E se o amanhã viesse arrancar tudo isso? E se aquela felicidade, que parecia um milagre, fosse apenas efêmera?
Ela fechou os olhos por um instante, respirando fundo.
Não queria deixar o medo roubar aquele momento. Abraçou-se mais ao calor de Vitório e, em silêncio, fez uma prece: que aquela noite nunca acabasse, que aquele riso de Olavo ecoasse para sempre, que o amor que os unia fosse mais forte que qualquer sombra que ousasse ameaçá-los.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Muda do CEO