Beth
Essa seria a primeira vez que desobedecia uma ordem direta dele. Mas não podia ficar calada, fingindo que não estava acontecendo nada, precisava ver Lucila.
Soube do que aconteceu através dos tabloides.
O escândalo criminoso envolvendo o famoso neuropsicoterapia, inundou todas as mídias nos últimos dias. No entanto, o fato de Vitório Darius ter mandado médico monstruoso para o hospital, quase morto, deixou Beth temerosa.
Nenhum lugar divulgou o motivo que levou um homem da estirpe de Darius, a perder a cabeça em público daquela maneira, mas se conhecia bem pessoas como ele, isso só poderia significar que o problema envolvia a família dele.
Ou seja, Lucila.
Beth se olhou no espelho, esperando não aparentar seu nervosismo. Quando foi liberada para entrar no condomínio fechado de Alphaville Park, ela soltou o ar que estava prendendo.
Precisava ver Lucila, ter certeza que estava bem. Não podia ignorar as grandes chances de serem irmãs. A pequena investigação que fez, praticamente concluiu suas dúvidas, e ela poderia ser o único laço de sangue que lhe restou nessa vida.
Seguindo pelas ruas silenciosas, ela olhou para as mãos trêmulas.
Não sabia como explicar para Lucila a sua presença ali. A preocupação que sentia não tinha justificativa para qualquer pessoa, foi exatamente isso o que Hans disse, quando a proibiu de sair para ir até a casa de Lucila.
Ele descobriu suas suspeitas, sabia de cada passo que ela dava, e ultimamente ficava ainda mais atento aos movimentos dela. Ter soltado a língua devido a frustração foi um terrível erro, agora ele estava pensando que ela enlouqueceu de vez.
Mas quem poderia culpá-lo? Afinal, ela era a filha do empregado que morreu e ficou vivendo com a família dele de favor, tendo a sorte de ser patrocinada por eles.
Entretanto, Hans não queria agravar o problema com os Darius. A parceria de negócios era longa e lucrativa; e além disso, ele deu sua palavra a Vitório de que não teriam problemas um com o outro.
Beth puxou o ar com força, quando viu o portão da propriedade dos Darius se abrir, estava na hora, tinha que ser corajosa.
Ela fingiu aceitar a decisão de Hans, como a boa menina que sempre foi, ou a boa empregada. No entanto, aqui estava, sendo conduzida pelo segurança, até a porta principal da casa de Lucila.
Uma governanta de cabelos brancos e de uniforme impecável a conduziu para dentro, assim que foi informada quem ela era. Do hall de entrada requintado, passaram para uma ante sala de estar, muito bem decorada com um estilo moderno e sofisticado.
Beth estava ansiosa para ver Lucila, mas a pessoa que adentrou o lugar, preenchendo tudo com uma força opressiva esmagadora, foi Vitório Darius.
Ele a olhou de um jeito afiado, sua expressão não denunciava seus pensamentos. O que ele estava pensando era uma incógnita.
- Boa tarde, Sr. Darius. – Ela finalmente conseguiu dizer. – Meu nome é Bettany Clintwood, é um prazer conhecê-lo.
- Senhorita Clintwood, eu sei quem você é e também sei que andou bisbilhotando a vida da minha esposa. Pare de enrolação e diga de uma vez o que você quer. – O tom cortante chocou Beth.


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