Beth se esforçava para parecer que estava tudo bem, mas era evidente que isso não era verdade.
A vontade de Lucy era levá-la para algum lugar, longe das vistas da governanta assombrada, e então descobrir o que houve. Mas nesse momento, tudo o que podia fazer era garantir que veria Beth de novo.
- Eu fiquei muito surpresa com a sua visita Sra. Darius. – ela disse, depois de se sentar na extremidade da sala.
Ela parecia querer manter certa distância, como se o abraço emocionado de ambas, há poucos minutos não tivesse acontecido. O comportamento da moça doce e bondosa, estava muito diferente do que conheceu.
- Combinamos de nos chamar de maneira menos formal, se lembra. – disse, com um sorriso forçado. – Me chame de Lucy.
- Talvez eu tenha sido muito precipitada. – ela disse desviando o olhar. – Em que posso ajudá-la?
- Sabe porque estou aqui Beth. – Lucy começou, como ela insistia em olhar para o jardim lá fora, com aquele olhar perdido, Lucila foi direto ao ponto. – Quero fazer o exame, para determinar se somos realmente irmãs
- Não precisa se forçar a isso, sei que não quer um vínculo com alguém como eu...
Os olhos de Beth brilharam em novas lágrimas.
O que aconteceu? Por que ela estava assim? Onde foi parar aquele brilho intenso e caloroso de seu olhar?
- Minha reação foi o reflexo de alguns traumas da minha infância. Mesmo assim, eu deveria ter me contido. Me desculpe, Beth.
Seus olhos molhados se voltaram para Lucy, surpresos com a sinceridade. Ela estremeceu, parecia prestes a desabar.
- Até lá podemos nos aproximar, e nos conhecer melhor. Quero saber tudo sobre você, sobre o nosso pai... – Beth escondeu o rosto nas mãos, cedendo as suas emoções.
Lucila correu até ela, e a abraçou forte, dizendo baixinho.
- Quem está fazendo isso com você, querida? Você precisa de ajuda? É a Astrid?
À menção do nome daquela mulher, Beth se afastou olhando para Lucila com verdadeiro choque.
- Você ainda não sabe?
- O que?
- Ela fugiu.
Inconscientemente, Lucila apertou forte as bordas do sofá. O rosto molhado de Beth começou a girar, e ela fechou os olhos tentando afugentar seus temores para longe.
Pensou em Olavo.
Aquela mulher era capaz de qualquer coisa. Poderia estar elaborando algo para sequestrar Olavo, e forçar Vitório a agir como ela queria. Todos estavam em risco.
- Eu não sabia que ele...tinha escondido... isso. – Beth disse num tom sussurrante. – Sinto muito, Lucy... devia ter te avisado, mas...
- Já excedeu seus limites por hoje, Bettany. – Uma voz aveludada, porém imperativa, as interrompeu.
Lucila se levantou, se deparando com um homem um pouco mais baixo que Vitório, cabelos grisalhos perfeitamente penteados para trás, feições rígidas e másculas, olhos azuis celestes, e um porte físico bem distribuído. Silenciosamente, ele adentrou a sala, vestia uma calça de alfaiataria francesa, mocassins de couro italiano e um suéter caqui da Hermès.

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