Lucila começou a achar que ele não seria capaz de contar totalmente a coisa toda. Vitório ficou em silêncio por vários minutos.
- E então? O que houve? Ela invadiu seu quarto com alguma desculpa?
- Nem cheguei a abrir a garrafa, e se tivesse feito, estaria morto. – ele rosnou, parecendo um animal. – Meus sentidos ficaram embaralhados repentinamente, me senti tonto, como se estivesse fora de mim. Fui para a cama tropeçando nos próprios pés. Minha mente ia e voltava no que já tinha acontecido, meu corpo ficou leve e eu comecei a te ver como se estivéssemos de volta à Itália. Seu cheiro invadiu o quarto, e eu a vi se aproximar de mim, como nos meus sonhos mais reais. Vi seu vestido ser despido, e me senti abençoado por você estar ali, por finalmente ter você. Tentei te tocar, mas você não deixou, seu rosto às vezes ficava difuso, como uma ilusão, e eu queria te sentir. Mas então eu te via com aquela lingerie branca da lua de mel novamente, meu desejo se descontrolou.
As lágrimas caíram dos olhos chocados de Lucila. Parada ao lado dele, ela não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Vitório estava trêmulo, tamanha era a grandeza de sua ira, suas palavras não combinavam com suas reações. Ele abriu os olhos, completamente escurecidos pela raiva, fitando a noite fria.
Lucy correu até ele e o abraçou. Ela só queria curá-lo, só queria resgatá-lo daquela noite horrível.
- Não precisa me dizer mais nada...
- Sim, eu preciso. – Ele se livrou de seus braços, andando de um lado para o outro como um animal selvagem ferido. – Porque não posso mais carregar isso sozinho. – Um soco acertou a parede ao seu lado, e ele a golpeou novamente com a própria cabeça, como se quisesse se livrar do que estava em sua cabeça. – Em dado momento consegui tocá-la, e ela se traiu, me pedindo coisas obscenas que gostava, e então sua imagem se distorceu, e eu soube que aquela voz não era a sua. A empurrei de cima de mim, me arrastando para longe da cama. Tentei ficar de pé, mas tudo estava difuso, o lugar onde eu estava mudava o tempo todo, eu não sabia onde me apoiar. – Com a fronte fortemente pressionada contra o concreto da parede, ele apertou o cenho, rosnando feito uma fera. – Aquela vagabunda subiu em cima de mim de novo, minha mente estava confusa, eu sentia seu cheiro, via seus cabelos escuros, mas seu rosto era um borrão, foi então que ela disse que me amava, e eu disse o seu nome. Ela enlouqueceu, e me atacou com um picador de gelo que estava sobre uma mesa baixa. As imagens confusas estavam me deixando louco, e ela gritava coisas que eu não entendia. Quando finalmente consegui empurrá-la para longe, vi os cabelos dela, e soube o que aquele demônio fez. Sem saber direito o que estava fazendo, comecei a enforcá-la. Minha cabeça estava doendo, e algo quente molhava meu corpo. Ela ainda estava com o picador e me atingiu de novo, o cravando em meu peito. – Vitório finalmente abriu os olhos. – E por mais que eu desejasse quebrar o pescoço daquela vadia imunda, perdi a consciência.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Muda do CEO