Vitório
Ele arrumou a gravata pela enésima vez.
Quanto tempo mais Lucila iria demorar para aparecer?
O sol começava a se pôr, e esse era o cenário que ela tanto queria, mas estava demorando tanto que parecia que iria perder o sonhado pano de fundo desse casamento.
Vitório praguejou em sua mente.
Todos estavam presentes, menos Ícaro que ainda não tinha chegado, possivelmente por causa da nova namorada. Mas não era com isso que ele estava preocupado, pois logo Lucila se tornaria sua esposa, o que daria início a um tormento sem fim para se controlar perto dela.
Uma coisa era certa. Se desejar Lucila o enlouquecia a ponto de perder o controle, imagina se ele se apaixonasse por ela?! “Não. Isso não. Nem morto.” Pensou irritado.
Ele já tinha se apaixonado por uma mulher uma vez, e foi o suficiente para quase destruí-lo.
Jamais deixaria isso acontecer de novo. Nunca abaixaria a guarda de novo.
Nesse momento o quarteto de cordas começou a tocar a música escolhida para a entrada de Lucila. Ela escolheu Perfect Storm, uma música que traduzia perfeitamente o que ela sentia. Todos se levantaram com sorrisos e comentários sussurrados. Otávio estava logo à frente, e olhava para Vitório com bastante confiança.
Amanda Drumond acabou de ocupar o seu lugar próximo ao altar, parecia muito emocionada.
Vitório se sentiu rígido, seu coração se apertando cada vez mais, como o nó daquela gravata, a cada nota daquela melodia. Era como se visse seus dias com Lucila desfilar diante de seus olhos. Seus sorrisos cheios de pureza em seus lábios doces, o olhar de anjo brilhando para ele.
Quando ela apareceu no início do caminho montado com esmero para sua entrada, Vitório sentiu como se todo o ar tivesse sido arrancado de seu corpo por uma mão invisível. Seus olhos pararam naquela figura etérea, seu peito se contraiu dolorosamente quando os últimos raios de sol a acompanharam suavemente dançando em sua pele, criando uma aura praticamente celestial em torno dela.
Ela flutuava suavemente em direção a ele, com aquele sorriso tímido, ela não parecia deste mundo.
Vitório não sabia que era possível alguém morrer de beleza.
Mas ali estava ele, de pé diante do altar que ele não dava a menor importância antes, e que agora parecia um lugar sagrado, cercado pelos resquícios do sol que lentamente se despedia do horizonte, o cheiro do mar, o embalo das ondas se quebrando misturado as notas vibrantes das cordas; sentindo o coração bater com uma força primitiva no peito, como se estivesse preso em uma armadura apertada demais. A cada passo que ela dava em sua direção, algo dentro dele implodiu. Em silêncio. Em reverência.


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