Lucila
O braço de Vitório ficou rígido de repente, seu corpo estacou no lugar, como se tivesse topado com uma barreira invisível.
Lucila olhou para ele, preocupada e confusa, mas ele parecia completamente fora de si. Seu rosto era uma máscara de granito, não havia nem sombra daquele sorriso charmoso, seus olhos seriam capazes de perfurar qualquer ser humano a metros de distância, e não estavam voltados para ela.
As pessoas em volta falavam com eles, os felicitando, precisavam terminar a saída dos noivos para irem para a recepção no castelo, mas Vitório não se movia.
- Não ouviu o que ela disse, Vitório? – Ícaro falou muito perto deles.
Seus olhos seguiram a direção da voz dele, e foi então que percebeu quem o acompanhava. A loira arrogante que visitou o instituto dias atrás. Ela sorria confiante, pendurada no seu melhor amigo, como se ele fosse algum acessório dela.
Era para ele que Vitório estava direcionando essa fúria glacial. Obviamente ele percebeu o que aquela mulher fez quando a visitou, e não aprovava a presença dela no casamento deles.
- Vitório, não vai responder ao cumprimento da minha namorada? – Ícaro perguntou, já irritado.
“Namorada? Como assim, namorada?” pensou Lucila embasbacada. Essa mulher não podia ser a namorada de seu amigo, ela era má e perversa. Se lembrava do brilho dos olhos dela quando se falaram, era como se ela quisesse intimidar e pisar em todos a sua volta.
- Vamos, as pessoas estão esperando, Lucila. – Vitório finalmente reagiu, ignorando a loira que ainda estava olhando para ele em expectativa, e também a Ícaro.
Chegamos ao Rolls Royce branco onde ele a ajudou a se acomodar, e entrou logo em seguida, sem dizer uma palavra. Ela tocou a mão dele timidamente para chamar sua atenção.
Vitório olhou para ela com aquele universo de cor e brilho de seus olhos, o cinza estava predominando, mas quando ele a observou por alguns instantes, as nuances de verde surgiram e a expressão carregada retraiu um pouco.
- Lucila, eu não sei o que o Ícaro estava pensando quando decidiu trazer uma completa estranha para o casamento. Mas não acho que aquela mulher seja confiável, por isso, fique longe dela, entendeu? – ele perguntou, afagando levemente o rosto dela.
Lucila disse “SIM” em libras, e acenou com a cabeça logo em seguida.
- Ótimo, boa garota. – disse se afastando dela. – Acho que é melhor viajar ainda essa noite. Podemos chegar na Itália pela manhã, e aproveitar melhor o dia. Tudo bem para você?
Ele parecia com pressa de saírem para a lua de mel. Lucila sentiu seu estômago se contorcer de ansiedade, mas não demonstrou o quanto estava nervosa com aquela perspectiva.
As palavras de sua mãe ressoavam em seus ouvidos. “Ele é um homem experiente, Lucy. E pode esperar coisas de você...”
Lucila desviou o olhar, rogando aos céus para não parecer uma tola infantil.

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