Vitório congelou.
— Isso é impossível... minha equipe analisou tudo. Havia boas referências...Eu revisei tudo pessoalmente.
Vitório pegou os papeis assinados pelo pai, as informações não batiam.
Otávio berrou.
— Os ativos deles estavam comprometidos! E você assinou um contrato que exige pagamento imediato e entrega do nosso capital em caso de falha na execução dos projetos! Está no maldito contrato! – o peito de Otávio subia e descia rapidamente. – Você nos afundou! Como pode ser tão estúpido, Vitório?!
O telefone tocou. Otávio atendeu. Ficou em silêncio por um momento e então murmurou.
— Entendo. Façam o que for preciso...
Ao desligar, ele olhou para o filho com uma expressão de devastadora decepção. Vitório sentiu como se levasse um soco na cara, nocauteado.
— A diretoria está em fúria. Estamos em queda livre. Você destruiu a companhia que eu construí com tanto esforço. A Acrópole está condenada por causa da sua incapacidade e irresponsabilidade.
Otávio contraiu o rosto em dor, levou a mão ao peito.
- PAI! – Vitório gritou alarmado.
E então ele caiu. Como uma árvore centenária. Otávio Darius sofreu um infarto ali mesmo.
Vitório gritou por ajuda, carregando o pai nos braços. O desespero engolindo tudo. No hospital, à espera de respostas, viu seus irmãos entrarem. Ícaro o fitou com olhos como madeira em brasas.
— O que você fez?! Traiu o papai, traiu nossa família! Entregou a empresa para seus comparsas para ficar com tudo depois!
— Não seja idiota. Eu não faria nada contra nossa empresa. Houve algum engano, pesquisei muito bem a Rosentown. Eu não sabia que eles tinham intenções escusas!
— Um erro? Isso foi sabotagem e ganância! Assinou aquilo por quê? Foi obrigado? – Ícaro cuspiu, o empurrando com força para fora da sala de espera. – Não foi! Você que aprendeu tudo com o papai, que estudou com os melhores professores, que entende tudo e mais um pouco do mundo corporativo! Você não cometeria um erro desses!
A discussão saiu do controle. Socos trocados no jardim externo do hospital. Sangue nos lábios, dignidade no fio da navalha. Vitório gritou.
— Eu revisei o contrato! Não havia nada que indicasse risco!
— Vitório... você nunca teria tudo se continuasse obedecendo seu pai. Fiz isso por nós. Para termos liberdade, e o poder que ele te negou. A Rosentown é minha. Agora podemos criar algo novo, só nosso. Sem a interferência do seu pai ou seus irmãos.
Ele a afastou com brutalidade, fazendo Astrid se segurar na parede para não cair.
— Você sabe o que fez?! Está destruindo tudo que meu pai construiu! Ele pode morrer! – seus olhos irados pousaram nela, em descrença. – Não existe nada separado da minha família. Nós somos os Darius, não existe a menor possibilidade de traí-los e abandoná-los.
Ela tentou se recompor, chorando de forma teatral.
— Me ouça, amor. Seu pai vai sobreviver... E podemos recuperar tudo. Planejei tirar só setenta por cento. A Acrópole se reergue, e nós teremos nosso futuro...sozinhos.
Vitório olhou para ela como se visse um monstro sob a pele perfeita. Um espectro de ambição e mentira.
— Você não passa de uma ordinária ambiciosa.
Ela caiu no chão quando ele a empurrou, para sair pela porta. E ele a deixou ali. Sozinha, entre os cacos de uma farsa que vestia o nome de amor.

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