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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 63

Vitório

- O que o médico disse sobre o garoto? – perguntou ao motorista, que havia entrado no escritório depois de uma batida firme na porta.

Tobias manteve a postura tranquila de sempre, e tirou o chapéu de chofer, alinhando os cabelos brancos.

- A Ludmila me contou que o menino vai ficar bem. Mas parece que o pobre garoto vinha sendo feito de saco de pancadas de alguém, seu Vitório.

- O que você quer dizer? – perguntou num tom brusco, cortando a ponteira do charuto. – Ele está machucado?

- Está sim, e não é pouco não. Dona Lucila chorou quando soube.

A mandíbula de Vitório se contraiu de forma quase imperceptível, mas seus olhos imediatamente mudaram de verde para prateados, brilhando implacavelmente com uma fúria intempestiva e crua.

O som do cortador de charuto rasgando a folha espessa pareceu um estalo seco no ar carregado do escritório.

Uma criança.

Um menino pequeno, magricela, vulnerável, ferido como se fosse um objeto descartável, um brinquedo sem valor. O sangue subiu à sua cabeça, e um calor violento percorreu sua espinha, como se um instinto primordial dentro dele tivesse sido despertado.

Vitório não sabia de onde vinha aquilo, mas era absoluto. Ele precisava proteger aquele garoto. Não o entregaria a qualquer um quando o momento chegasse. A simples ideia de alguém ter erguido a mão contra um ser tão indefeso provocava nele um impulso de vingança que poucos teriam coragem de enfrentar.

Seus dedos se fecharam com força em torno do charuto como se quisesse esmagar o pescoço do culpado.

Quem quer que tivesse feito isso, quem ousou machucar uma criança daquela forma, iria pagar caro. E se descobrisse que o menino foi deixado ao relento como um descarte covarde, se alguém deliberadamente o jogou ao mundo sem nada... então Vitório Darius não descansaria até ter justiça com as próprias mãos.

Porque aquilo, mais do que um crime, era uma abominação desumana. E ele não aceitava que monstros andassem impunes por aí.

- Precisa de mais alguma coisa, seu Vitório? – ele perguntou.

Vitório acendeu o charuto, e abriu a janela para que a fumaça se dissipasse. Algumas coisas precisavam ser resolvidas o mais rápido possível, se queria mesmo mostrar a Lucila que ela não podia fazer o que queria.

Principalmente em relação a esse menino.

Ele relaxou um pouco ao se lembrar dela o observando pela janela do quarto.

- Não. Só diga a Ludmila para acomodar as minhas coisas na suíte principal junto a minha mulher. – ele tragou a fumaça, estreitando os olhos. – E mande preparar o quarto de hóspedes para a criança. Depois, você deve providenciar roupas, sapatos e brinquedos adequados, se informe com a minha esposa a respeito.

Vitório pegou a carteira e tirou de dentro dela um cartão black que pouco usava.

- Use isso para pagar tudo o que for necessário.

- Como o senhor quiser. – Tobias pegou o cartão, e acenou respeitosamente.

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