Vitório
Com delicadeza, seus dedos retiraram a mecha de cabelos negros do rosto de traços perfeitos. Ela adormeceu em seus braços há cerca de uma hora, desmaiando de exaustão. Vitório a apertou contra seu peito, beijando seus cabelos, e arrumando a manta quente que cobria seu corpo nu.
Era muito tarde, e da fogueira só restaram as brasas. Parte da comida e bebida foi consumida entre provocações eróticas que ele traçou no corpo dela, se servindo de chocolate e em seus seios, e morangos regados ao mel delicioso que escorria de dentro da bucetinha deliciosa de sua esposa. Fez ela provar os marshmallows assados contra a boca dele, e beber do mesmo vinho que afogava sua língua.
Não pretendia ser tão eloquente, e muito menos introduzir sua esposa a prazeres que o dominavam sempre que estava com ela. Mas foi inevitável.
As expressões sexy que ela fazia com cada novidade, com a intensidade em que ele a conduzia por caminhos inexplorados, criaram uma mulher excepcionalmente erótica, que até o provocou com morango coberto de chocolate, como se fosse uma deusa do sexo.
A intenção era uma noite relaxante, em que ela pudesse ter o romance que tanto apreciava. Ele também gostava da ideia de fazer tudo o que fazia Lucila corar e se sentir especial, mas aquele lado faminto pelo gosto dela, o dominou, e quando percebeu, só queria fazer ela sentir o mesmo que ele.
Que ela era sua. Somente sua.
E que ninguém poderia tê-la dessa maneira.
O vento ficou mais frio e ele achou melhor levar sua preciosa esposa para dentro.
A depositou na cama como cuidado, e cobriu seu corpo marcado pela paixão que ele não conseguiu dominar. Vitório praguejou intimamente, havia muitos hematomas, em toda parte. Parecia até que ela foi atacada por um animal selvagem.
- De certo modo, foi... – murmurou.
Essa ânsia por ter ela colada a ele, totalmente à mercê de seus desejos, e de seus sentimentos só cresceu depois que soube que Olavo era seu filho. Pensar que corria o risco de perder tudo o que estavam construindo, não era uma opção.
Lucila era sua. Ela nunca poderia sair do seu lado.
Pensou, acendendo um charuto. Sentou-se na poltrona de frente para a cama, tomando o cuidado de manter certa distância por causa da fumaça. As portas do terraço permaneciam abertas, a brisa levava os anéis que ele produzia com o tabaco.
Se levantou e descartou o que sobrou do charuto lá fora. Ao voltar para o quarto, planos já estavam sendo traçados em sua mente, uma armadilha para finalmente acabar com a psicopata louca.
Depositou o copo sobre o móvel de carvalho branco, e estendeu a mão para o seu celular. Medidas deveriam ser tomadas imediatamente.
Só quando ligou a tela do aparelho, foi que percebeu que não era o dele. Lucila tinha um celular igual. Vitório estava prestes a abandonar o objeto de volta no móvel, quando o mesmo vibrou em sua mão.
Ligando a tela novamente, ele viu uma mensagem surgir na tela. Uma mensagem que fez suas mãos doerem com a força com a qual segurou a madeira polida.
“Bom dia, Lucila. Espero que aquele almoço que conversamos seja possível hoje, estou ansioso para revê-la. Estarei no Instituto a partir das 13h. Eric.”
- Quem caralhos é ERIC?

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