Roberto tinha uma expressão bastante surpresa na tela do computador. Estavam em chamada de vídeo desde que Vitório chegou a Acrópole essa manhã.
- Ele não representa uma ameaça, Vitório. É por isso que não informei sobre a presença dele no Instituto. – Roberto tentou mais uma vez.
- Não é você quem decide isso, porra! – Vitório abandonou os contratos sobre sua mesa, e retirou os óculos de armação escura. – Deixei claro que todos que estivessem envolvidos no Instituto deveriam ser reportados a mim. Agora você está me dizendo que um caralho de médico filho da puta, começou a trabalhar com a minha mulher há uma semana!
Roberto apertou a testa e suspirou profundamente.
- Eu cumpri com todos os protocolos de segurança que utilizamos com todos os que se aproximam da senhora Darius. Principalmente os antecedentes, e as ligações. Ele não tem nada a ver com Astrid Kutiski, tenho certeza. A única coisa interessante que encontrei na vida desse doutor, é que ele estudou com Felipe Drumond.
- O que você disse? – perguntou, parando a cadeira que tinha girado para sair de trás da mesa. – Está me dizendo que esse doutorzinho fez parte da vida dela?
- Não exatamente. – Roberto pegou uma pasta sobre sua mesa. – Eric Mastrangello DelaVille, é um conceituado neuropsicoterapeuta, muito respeitado na sua área. Ele iniciou no Instituto por convite da Sra. Darius, e agora está atuando como consultor por lá. Ele não tem ficha criminal, nunca levou multa de trânsito. Vem de uma família humilde e acabou cursando o ensino médio na St. Jhones porque ganhou uma bolsa de estudos integral. Foi lá que ele conheceu Felipe Drumond. Eles ficaram um tempo no colégio interno do St. Jhones, e dividiam o mesmo dormitório. Na época ele era Eric Gomes de Santana, ele só mudou o sobrenome quando se formou e se casou com a herdeira dos DelaVille, Cintia.
- Então, ele deu um golpe financeiro. – Vitório analisou, observando as imagens do tal doutor que já apareciam na segunda tela de seu computador.
- Não tem como saber exatamente. – Roberto olhou para ele, como se quisesse perguntar algo, mas mudou de ideia. – Depois de se formar ele desenvolveu um estudo que revolucionou pesquisas que intercalavam estados de inconsciência com o trauma. Foi aí que ele ganhou fama e notoriedade. O casamento dele, no entanto, foi para o vinagre. Cintia o abandonou com uma filha pequena e deficiente, e foi viver a vida viajando pelo mundo sem responsabilidades. E o bom doutor ficou com a criança para criar sozinho.
- Então esse filho da puta é divorciado. – constatou Vitório, incomodado.
Não estava gostando do rumo dessas informações.
- O que pretende fazer? Ele é só um médico que está trabalhando com ela, Vitório.
- Vou dar as boas-vindas ao amigo de infância do meu cunhado morto. – ele respondeu encerrando a ligação.
Conferiu o relógio, até as 13h tinha tempo de preparar algo especial para Lucila. E para o convidado dela também.
- Você não está agindo como se o cara fosse algum tipo de stalker perseguidor. É só um velho amigo dela, não tem nada a ver, Vitório. – Roberto tentou acalmá-lo, ele sabia muito bem como o humor de Darius era um tanto... perigoso.
- Ela não precisa de amigo nenhum. Ela tem a mim.

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