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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 98

Quando ele fechou a porta do escritório atrás de si, Lucila tomou vários passos de distância. A cena no refeitório foi constrangedora, e ela não pretendia protagonizar esse tipo de coisa por causa do que Vitório pensava.

“O que você pensa que está fazendo? Por que agiu daquele jeito na frente dos outros?!”

Vitório a observava em silêncio. Aquela frieza cortante se dissipou e no lugar dela restou somente aquela expressão misteriosa e magnética. Seus olhos arrefeceram, e a postura descontraída, com as mãos nos bolsos da calça, evidenciava que aquela raiva fria foi direcionada exclusivamente a Eric.

- Não sei do que está falando, princesa. Tudo o que eu fiz foi cumprimentar a minha esposa, nada mais. – ele respondeu com um sorriso de canto. – Casais se beijam em público, Lucila, é normal. Não estamos mais na década de cinquenta.

“Não me chame de princesa! Não agora! Você sabe do que eu estou falando, não foi um simples beijo de cumprimento entre casal.” Lucila respondeu com raiva. Seus gestos disparando, sem se importar se ele ia ou não conseguir interpretar. “Você me expôs lá fora. Agiu como um macho marcando seu território no reino animal! E na frente de um renomado profissional com o qual estou trabalhando, isso é inaceitável, Vitório!”

- Você fica ainda mais linda quando está com raiva. Eu devo admitir que é difícil pensar em voltar para o trabalho, quando você fica assim tão... afogueada, com essa pele rosada e esses olhos vibrantes. Minha vontade é de te jogar nessa mesa, e te fazer gemer gostoso o resto da tarde. – ele disse, se aproximando, lentamente como um felino à espreita de sua presa. Seus olhos prateados ficaram fixos nela.

Lucila sentiu o calor pulsar em seu íntimo e suas pernas tremerem com aquelas palavras tão pervertidas e eróticas. Ela apertou os olhos por alguns instantes, tentando ignorar as chamas dentro dela, se recompondo sofrivelmente.

“Eu quero saber por que você fez aquilo? E quem é aquela moça que trouxe para dentro do Instituto sem nem mesmo consultar.”

- Ah querida, ela não é ninguém importante para você, então não se preocupe com ela. – Vitório se sentou na beirada da mesa dela, e do bolso interno de seu blazer, tirou dois pacotes, os colocando sobre a mesa.

Seus olhos pousaram sobre as duas caixas de veludo negro, e Vitório sorriu satisfeito ao perceber seu interesse. Entretanto, ele não parecia com pressa de revelar seu conteúdo.

– Eu a vi lá fora aos prantos, coitadinha, e achei que poderia ajudar de alguma forma. Você quer saber por que ela estava procurando o doutor?

Aquela pergunta, tinha uma conotação estranha e mesmo sabendo que era algum tipo de jogo, ela não conseguiu se afastar, quando ela a puxou para perto, beijando suas mãos.

O impacto das palavras dele foi como um golpe seco inesperado. Ela abriu os olhos de súbito, o corpo ainda entrelaçado ao dele, as mãos trêmulas apertando os ombros de Vitório como se buscassem equilíbrio diante da informação que acabou de receber.

Por um momento, sua mente ficou em branco. Seus lábios entreabertos buscaram ar, mas o que veio foi uma sensação de náusea e repulsa.

A imagem de Eric sorrindo à sua frente, tão cortês e simpático, atravessou sua mente como uma ironia absurda. A mesma boca que elogiava seu trabalho, que sugere passeios com as crianças, que falava de métodos revolucionários e novas abordagens terapêuticas... podia ser a mesma que prometia a uma jovem indefesa algo mais, só para descartá-la depois?

Ela balançou a cabeça, como se quisesse afastar a imagem daquela moça, com os olhos marejados na porta do refeitório, tentando dizer algo e sendo ignorada.

Vitório segurou seu queixo, depositando um beijo caloroso em seus lábios.

- Eu saberei quando alguém tentar cruzar o seu caminho, mas sempre vou estar lá, bem antes disso acontecer.

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