(Ponto de Vista de Ryker)
Vinha monitorando todas as ligações e mensagens da Kennedy. E, pelo que consegui ver até agora, ela parecia estar dizendo a verdade. As únicas pessoas com quem ela trocou mensagens foram minha irmã e Jeremiah da antiga alcateia, e aqui apenas Robin e Bennet. Todas as mensagens eram curtas, diretas, sem nada além do necessário. Ela ligou para Jeremiah com mais frequência do que mandando mensagens, o que fez sentido considerando o tipo de relação que sei que eles tinham. Mesmo assim, nenhuma ligação durou mais de dez minutos, o que, sinceramente, achava estranho.
Bennet quase nunca respondia a ela, a não ser quando era realmente necessário, e na maioria das vezes a resposta dele era algo como: "Vou verificar com o Alfa." Ele sabia que estava monitorando, então talvez conversasse com ela pessoalmente…
Depois daquele ataque, ele quase não trocou mais uma palavra comigo. Pelo menos não até a noite anterior, quando eu tive a "sorte" de escutar de camarote o que ele pensava sobre o jeito que eu estava tratando ela. E era exatamente por isso que agora estava preso nesse buraco sem fim de pensamentos sobre Kennedy.
— Alfa!
— O quê? — Gritei de volta para Josh.
Ele também anda mais irritado ultimamente.
— Vai ficar aí espionando a sua companheira ou pretende me ajudar com isso aqui?
— Eu não estou espionando ela, e você parece estar se virando muito bem sozinho.
Caminhei até ele, guardando o celular antes que percebesse, enquanto ele terminava a última caixa de flores ao lado da entrada da nova escola que construímos. "Josh realmente gostava desse tipo de trabalho com madeira… A atenção aos detalhes dele era impressionante…"
Na verdade, a gente esperava que o Claude e os homens dele aparecessem para atacar justamente enquanto a construção estava acontecendo. Tanto que eu e o Josh acabamos nos juntando à equipe no meio da obra, fingindo que só queríamos acompanhar tudo de perto. Só que, na prática, eu estava mesmo tentando me usar como isca para atrair o Claude para fora, ainda mais depois de deixar o lugar organizado de forma que o Don, o Nathan e o Rory tivessem o controle da situação.
Aquele era o melhor lugar possível, e os filhotes dali iriam adorar. Havia uma grande área plana para brincadeiras ao ar livre e um lago grande o suficiente para servir como barreira natural de segurança, além de poder ser usado pelos pequenos nos meses mais quentes.
O hospital também estava quase pronto, e as equipes estavam trabalhando duro para terminar a estrutura externa antes da primeira nevasca. Tivemos sorte até então, porque o clima ruim ainda não tinha chegado. Mesmo assim, alguns dos nossos especialistas eram humanos, então precisávamos respeitar as limitações deles em relação ao frio.
Logo, conseguimos confirmar que Claude realmente estava tentando me derrubar. Os dois intrusos que capturamos depois do ataque à Kennedy mal aguentaram dois golpes antes de começar a vomitar informações. Pelo que eles disseram, o alvo nem era ela. Estavam só fazendo reconhecimento, tentando entender como funcionavam os nossos turnos de patrulha… Que chance apareceu quando viram uma das nossas patrulhas na fronteira e resolveram aproveitar. No fundo, eu ainda tinha minhas dúvidas se aquilo era verdade, porém nenhum dos dois sequer comentou algo sobre capturar minha Luna ou tentar feri-la.


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