(Ponto de Vista de Kennedy)
Aos poucos, senti minha consciência retornar e notei que tinha dormido muito bem, imaginando que isso só acontecera porque todos os garotos estavam no carro comigo e porque havia algo em Rayna que me transmitia uma tranquilidade estranha. Eles sempre foram meu abrigo, e a presença deles juntos me colocava no eixo, mas nenhuma mulher jamais tinha me feito relaxar o bastante para dormir, nem mesmo a tia Beth. Talvez fosse porque Rayna fazia parte do Jer, como se a nossa conexão também se refletisse nela graças ao vínculo de companheiro. "Quem sabe…" Sempre que eu pensava entender a natureza dos lobisomens, algo surgia para bagunçar tudo, fazendo-me questionar coisas que deveriam ser óbvias, como a questão dos companheiros.
Com a natureza dos pesadelos que eu tinha quando dormia sozinha na minha cama, qualquer pessoa diria que eu deveria ter algum tipo de trauma ao andar de carro, porém nunca senti medo algum nessas situações. Nunca mesmo. E isso era muito estranho.
Eu despertei por completo quando o SUV reduziu a velocidade e percebi um cheiro diferente à minha volta.
— Ben? — Perguntei roucamente enquanto me erguia devagar, esfregando o rosto e observando ao redor. — De onde você saiu? — Eu podia jurar que Jason era meu travesseiro quando tínhamos partido.
— Acho que você finalmente conseguiu o sono que precisava, Ken. Estamos dirigindo há quase quatro horas. Cada um de nós fez turno sendo seu travesseiro e você não se mexeu nem um pouco. — Ele comentou com um sorriso raro. — Até a Rayna ficou com você.
Ao ouvir isso, olhei para o banco na diagonal e ela sorriu.
— Como não percebi as bundas gigantes de vocês entrando e saindo do assento? Eu até entendo a Rayna chegar aqui sem ser notada, mas vocês três? Nem pensar. Vocês me drogaram ou algo assim? — O banco da terceira fileira não tinha portas, então certamente fora complicado para eles passarem por ali.
— Não, mas claramente você precisava descansar. Está se sentindo melhor? — Ele voltou a parecer preocupado. Lá no fundo, eu torcia para que ele parasse de me olhar daquele jeito. Eu conhecia o carinho dele, só que, às vezes, como agora, aquilo parecia extrapolar. Ele tinha uma companheira em algum lugar, e eu não entraria nessa bagunça.
Assim, eu virei o rosto para a janela.



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