(Ponto de Vista de Ryker)
— Você acabou de fazer uma piada? — Kennedy interrompeu antes mesmo de Josh terminar a provocação, enquanto eu a puxava comigo para o lado de trás da minha mesa. Eu simplesmente não conseguia deixá-la sentada na cadeira ao meu lado. — Eu não sabia que você era capaz disso. — Ela acrescentou, rindo baixinho.
Puxei-a para o meu colo, e Josh finalmente levantou os olhos para encará-la, abrindo um raro sorriso.
Com aquele pequeno gesto de defesa a meu favor, ela também já o tinha conquistado. Na verdade, toda a minha equipe parecia gostar dela, mesmo tendo passado tão pouco tempo ao lado dela... Algo que eu pretendia mudar.
— Saiba, Luna, que eu sou um cara muito engraçado.
— Continue repetindo isso para si mesmo que tudo vai dar certo. — Ela respondeu.
Kennedy se mexeu um pouco sobre a minha perna e precisei apertar o quadril dela para fazê-la parar, porque, se continuasse daquele jeito, eu definitivamente não conseguiria me levantar e sair dali.
— O que vamos fazer hoje? — Ela perguntou, olhando por cima do ombro para mim.
Josh sorriu ao ver como ela mudava de assunto com tanta facilidade.
— Temos algumas visitas rápidas hoje. Tentamos passar em pelo menos duas áreas por mês. A alcateia está chegando perto de cinco mil membros, então nossas maiores prioridades são treinamento, para garantir que cada setor esteja preparado caso precisemos deles, além dos hospitais, por razões óbvias, e das escolas. Muitos dos nossos guerreiros precisam de um lugar para deixar seus filhotes quando estão em missões longas, portanto todas as escolas do território têm dormitórios para acomodá-los. Dá muito trabalho, mas vale a pena.
— E também. — Acrescentei, ligando o computador. — Temos nossos projetos que garantem a renda da alcateia. Com tantos membros para cuidar, tentamos manter uma fonte de renda constante através de projetos de construção e também aproveitamos qualquer atividade que cada grupo já tivesse antes de se juntar a nós. A maioria tem alguma habilidade ou negócio, mas sempre há alguns que não querem trabalhar ou simplesmente não conseguem.
Depois de uma pausa, continuei:
— E mudar a mentalidade de vítima pode ser um processo complicado. Ainda assim, distribuímos os recursos da melhor forma possível. Mal posso esperar para você começar a participar das reuniões mensais comigo. Vai tornar tudo muito mais suportável. Alguns ex-líderes até não são tão difíceis de lidar, mas sempre aparece aquele punhado que faz questão de complicar tudo só por birra. Mesmo depois de perderem suas alcateias para mim, continuam se achando os donos do mundo, cheios de ego e arrogância.
Durante as duas horas seguintes, Josh e eu analisamos projetos, pedidos, avisos e atualizações. Kennedy fez perguntas para esclarecer detalhes e até encontrou falhas que nós jamais teríamos percebido. Ela estava realmente envolvida e parecia empolgada por participar.
Eu nunca tinha visto outra Luna tão interessada nesse lado dos negócios da alcateia, com exceção da minha mãe. Talvez eu estivesse sendo parcial, porém era impossível não perceber. Na maioria das vezes, as Lunas ficavam responsáveis por festas e pela organização de eventos. Não que isso não tivesse importância. Eu via o quanto a Robin fazia por mim e sabia que ela era ótima no que fazia. Mesmo assim, ela era minha funcionária e era paga para isso. E, para mim, aquilo nunca pareceu ser a função mais importante de uma Luna.
Quando finalmente terminamos e nos preparamos para sair, senti meu nervosismo crescer. Josh foi buscar os carros, porém Kennedy e eu ainda nem tínhamos saído do meu escritório. Eu não sabia se aquilo sempre seria assim ou se ainda era consequência do que aconteceu quando a trouxemos para cá. E só de pensar em colocá-la em um carro e tirá-la da segurança da casa da alcateia, meu coração começou a bater descontrolado no peito.


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