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A Luna Indesejada do Alfa romance Capítulo 231

(Ponto de Vista de Finn)

Um dos motivos que me prenderam aqui por tanto tempo foi justamente esse. A Amy mantinha a gente por interesse próprio, mas não dava pra fechar os olhos para o jeito que a Luna lidava com a alcateia… Nem pra forma como todos sempre respondiam a ela, sem falhar. E era aquilo que eu e meu lobo queríamos para família que acabamos construindo.

Demorou quase uma hora até a gente chegar, seguindo sem pressa nenhuma, como se o tempo nem estivesse contando. Quando olhei pra frente, dei de cara com uma muralha enorme, toda iluminada por refletores apontados direto pra ela, e logo imaginei que aquilo devia ser a arena. Eu nunca tinha passado muito tempo dentro de uma alcateia, então ser intruso não me dava muita chance de explorar nada. Alguns lugares até eram mais tolerantes, mas, na maioria, eles deixavam bem claro, sem a menor sutileza, o que achavam de quem não fazia parte de uma alcateia.

Me levaram por um conjunto de portas e, na sequência, subimos quatro lances de escada. Tudo ali tinha um ar industrial, direto ao ponto, mas bem cuidado. Seguimos por mais um corredor, até que o guerreiro ao meu lado finalmente parou.

— É aqui. — Ele murmurou, cansado, abrindo a porta.

Passei pela porta e vi um quarto simples, organizado, sem nada demais… Só que aquilo não fazia sentido nenhum.

— Eu não estou entendendo… — Minha voz saiu rouca. Até porque já fazia um tempo que eu não falava.

— O que tem para entender? Esse é o seu quarto. Ordem da Luna.

— Isso não é uma cela. Por que ela me colocaria aqui?

— Você quer ficar numa cela?

— Não, mas…

Girei o chuveiro até o máximo de água quente que dava. "Vai saber quando eu teria isso de novo?" O banheiro estava totalmente abastecido, com produtos tanto masculinos quanto femininos. "Estranho… Mas útil." Ao lado do box, tinha uma pequena pilha de toalhas brancas, macias. Assim que entrei na água, parecia que eu tinha ido direto para o paraíso.

Enquanto a água escorria, pensei em tudo que a gente tinha passado sob o comando da Amy e do pai dela. De certa forma, ainda éramos prisioneiros ali na Lua Sombria… Mas, ao mesmo tempo, estavam alimentando todo mundo, e cuidando dos feridos...

Eu não conseguia processar como fui tão cego, como deixei as mentiras dela passarem batido. Eu sabia que o vínculo de união tinha peso, mas mesmo assim… Parte disso era culpa minha.

Ela nunca ficou um dia sem luxo. Sempre teve banho quente, comida, conforto. Vivia na Lua Sombria como parte da alcateia, enquanto o Claude… Ninguém nem sabia direito onde ele ficava. Só aparecia quando precisava que a gente lutasse.

E eu nunca questionei. Porque eles prometeram que, no fim, tudo aquilo valeria a pena.

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