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A Luna Indesejada do Alfa romance Capítulo 335

(Ponto de Vista de Elara)

Ben praticamente me obrigou a tomar banho antes de irmos ver a Luna Sam, e eu só cedi quando ele ameaçou me dar banho ele mesmo, o que fez minha loba ronronar imediatamente, enquanto eu precisei ameaçar dormir em outro quarto se ela não se controlasse de uma vez.

Eu guiei nós dois pela casa da alcateia, primeiro refazendo nossos passos e, em seguida, seguindo o rastro da Luna Sam.

— De onde eles estão conseguindo isso? — Ouvi a voz dela, baixa e carregada de preocupação. — Já revistamos todos os lugares possíveis nas nossas terras, então como isso ainda está sendo distribuído? — Eu sabia que Ben também tinha escutado.

Viramos a esquina e entramos no escritório dela.

— O que está acontecendo, Luna Sam? — Deixei a apreensão transparecer na minha voz, mas, ao mesmo tempo, a envolvi com a minha aura, deixando claro que não aceitaria mentiras nem meias verdades. Junior não estava ali, mas o Beta, o Gama e o Delta estavam presentes. — O que você está escondendo do Malcom?

— Ele ainda não está pronto para lidar com isso, seria pessoal demais… — Ela suspirou, como se já estivesse se rendendo ao que estava disposta a me contar, enquanto ainda me mantinha no escuro, assim como fazia com o próprio filho.

— O que é "isso"? — Ben perguntou ao meu lado.

— Acabamos de perder mais dois filhotes por overdose.

— Overdose? Overdose de quê? — Matar a gente não era simples. O cheiro de veneno na comida ou na bebida não passava despercebido, e ainda por cima a gente se curava rápido de quase qualquer ferimento básico.

— Nossos adolescentes têm colocado as mãos em alguma coisa, ou, mais provável ainda, estão recebendo algo sem saber… Não temos certeza. Mas eles chegam à clínica completamente fora de si. Os dois mais recentes ficaram travados no meio da transformação, como se o corpo deles não conseguissem escolher em que forma ficar, o que já indicava que os lobos também tinham sido atingidos. Eles espumaram pela boca como um lobo raivoso qualquer e não disseram coisa com coisa, misturando palavras aleatórias com rosnados e grunhidos.

— E por que o Junior não pode saber disso? — Perguntei, porque eu mesma ficaria furiosa se meu pai escondesse algo assim de mim, ainda mais estando em transição.

— Mesmo assim, você deveria ter nos informado depois do segundo caso. Principalmente agora que estão indo atrás de pessoas próximas ao Junior. — Tentei conter o rosnado quando ela vacilou, mas não consegui. "Aquilo não tinha passado pela cabeça dela?" Foi a primeira coisa que me veio à mente quando ela disse "namorada", e, pelo jeito, Ben também pensou o mesmo, já que a postura dele ao meu lado ficou cada vez mais tensa.

"Talvez pudéssemos ter ajudado se ela tivesse nos contado…" Eu sabia que Junior, Jeremiah e eu ainda éramos jovens, mas isso só significava menos experiência, não falta de inteligência, e estava mais do que claro que estávamos dispostos a trabalhar juntos agora que todos tínhamos sido arrastados para essa confusão. Então, pra garantir que ela entendesse a gravidade da situação, e, ao mesmo tempo, mostrar que eu confiava nela, contei sobre a minha mãe.

— Podemos estar lidando com algo parecido ou com situações completamente diferentes. Toda vez que parece que temos uma pista, vem outra coisa e muda tudo, e eu já estou cansada de sempre faltar peça nisso.

Me joguei no pequeno sofá encostado na parede do escritório dela, e Ben veio logo atrás.

— Os curandeiros conseguiram descobrir o que eles ingeriram? — Perguntei, embora meus olhos estivessem em Ben, porque a gente precisava compartilhar o que tínhamos descoberto hoje.

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