(Ponto de Vista de Elara)
‘Ancião Harlan, está na hora.’ Não consegui esconder o tom vazio na minha voz.
‘Agora é Reuben para você, Alfa.’
‘Deixa esse “Alfa” pra quando for oficial.’
‘Você já é oficial, mocinha. A cerimônia não vai passar de uma formalidade.’
‘E, mesmo assim, necessária para parte da alcateia começar a me levar a sério. Por favor, me ajude. Não precisa ser nada exagerado nem super planejado, a gente pode fazer isso nos degraus da frente, em uma hora, tanto faz... Só preciso que eles entendam que meu pai se foi, que eu estou aqui pra ficar e que isso é o começo de tudo. Além disso, preciso de orientação sobre Sebastian e Richard. O Jeff é um traidor e está sob custódia. Ele era responsável pela minha mãe e, muito provavelmente, foi por causa dele que ela foi envenenada. Como ninguém, nem mesmo meu pai, percebeu a traição dele?’
— Essa é a pergunta que todos nós queremos responder. — Os anciãos Reuben Harlan, Silas Moretti e Walter Fenwick entraram pela porta do escritório sem nem bater.
Harlan parecia exatamente aquele avô doce e atencioso dos filmes, aquele que sorria, abraçava e ainda te dava um doce escondido da avó. Já Fenwick era o velho rabugento que sabia a história da alcateia de cor e raramente errava quando era questionado. Moretti, por outro lado, era um assassino silencioso, tendo sido um grande guerreiro antes de assumir o posto de ancião, e seu temperamento nunca parecia se abalar. Juntos, os três formavam uma combinação estranha, mas que, de algum jeito, funcionava perfeitamente, já que se equilibravam e se completavam.
— Entrem, senhores, fiquem à vontade. — Falei com um leve sarcasmo, embora sem agressividade real, porque, no momento, minha confiança nas pessoas estava por um fio. E eu fiz um esforço para não presumir o pior de todo mundo da alcateia… Afinal, não dava pra todo mundo ser ruim.
— Ele não está disponível no momento. Até porque tem o próprio Alfa pra quem responder... É o Beta de uma alcateia vizinha e tem obrigações…
— Antes de qualquer coisa, ele tem que colocar você em primeiro lugar. — Fenwick cortou minha fala, exaltado. — Eu posso até ser conservadorista, mas você é a Alfa dele agora. Se você quiser chegar ao seu máximo, vai precisar dele, independente do cargo que ele tenha. Ele precisa voltar imediatamente. Estamos sob ataque! Liga pra ele… Agora!
Foi a primeira vez que ele me chamou de Alfa de alguma forma.
— Eu vou trazê-lo de volta assim que puder. Ele realmente está cumprindo uma obrigação com o Alfa dele... — Levantei a mão, impedindo outra interrupção. — O melhor amigo dele. A Rayna está grávida e eles precisaram viajar, então ele foi necessário na escolta. A gente consegue sobreviver sem ele por enquanto. — Eu não tinha a menor intenção de chamar o Ben como se fosse uma fêmea indefesa, mas eles não precisavam saber disso. No fim, ele viria até mim. — Vamos fazer isso. — Me levantei e caminhei até o armário que guardava a lâmina e o cálice cerimonial, pois não permitiria que eles me enrolassem por mais tempo. Eu era a Alfa daquela alcateia, e tornaria isso público e oficial, para que ninguém jamais questionasse a minha autoridade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Indesejada do Alfa
E a história da Kennedy + Ryker nunca mais voltou.......
Parecis legal. Mas ai começa o autoritarismo e machismo e tudo perde a graça e fica mais do mesm9...