(Ponto de Vista de Ben)
Tentei ligar para a Elara, mas aconteceu exatamente o que eu já esperava… Caiu direto na caixa postal. Tentei o Jax e o Dev também, porém nada. “Ou estavam trabalhando, ou estavam tão exaustos que nem ouviam o telefone… E alguma coisa me dizia que era a segunda opção.” Continuei dirigindo, forçando o limite de velocidade o máximo que podia, enquanto o sol finalmente surgia por completo no horizonte.
Aquele dia deveria ser perfeito. Afinal, meu Alfa e minha Luna tinham acabado de trazer seus primeiros filhotes ao mundo, a próxima geração… Fora que uma das minhas melhores e mais antigas amigas tinha sido marcada e agora era oficialmente a Luna da alcateia dela, além de ser especial o bastante para a Deusa lhe conceder uma loba e transformá-la em uma metamorfa. Eu deveria estar feliz, satisfeito com o rumo das coisas, mas não estava.
O Grant garantiu que eu tivesse um veículo com o tanque cheio, então não precisei parar sem necessidade, o que foi ótimo, porque eu estava sozinho e com pressa. E não tinha tempo para parar e lidar com intrusos ou nômades. Nem todos eram ruins, mas eu nunca entendi esse estilo de vida, já que metamorfos foram feitos para viver em alcateia, dependemos uns dos outros.
Muitos nômades eram misturas de outras espécies, o que mudava tudo, porque ter conjuradores ou fadas no meio alterava a forma como o lobo dentro de nós funcionava. A maioria dos lobos com DNA mágico tendia mais para um lado ou para o outro, mas sempre existiam casos raros em que havia um equilíbrio entre as duas espécies, e era daí que vinham os nômades, porque não se encaixavam completamente em nenhum grupo... E só esperava que aquilo não fizesse parte do problema. Depois disso, deixei minha mente viajar por todas as possibilidades, visto que era melhor deixar a imaginação correr solta ali, enquanto eu estava sozinho, para conseguir manter a cabeça fria quando encontrasse a Elara provavelmente se matando de trabalhar.
Quando eu cheguei na casa da alcateia, o Alfa James já estava me esperando na varanda, então o Tommy com certeza tinha avisado que eu estava a caminho. Assim, estacionei e saltei do carro, pronto para resolver aquilo rápido.
Aquilo soou péssimo. Na hora pensei que ele podia ter alguma informação sobre o que tinha rolado com a Elara, e tive que segurar a ansiedade ao imaginar que algo pudesse ter acontecido com ela enquanto eu seguia ele num passo irritantemente lento. No instante em que a gente entrou no escritório, pensei de novo em como eu sempre gostei daquela casa da alcateia, já que ela não parecia nada com as outras que eu conhecia.
A do Junior parecia uma cabana no meio da floresta, embora desse pra perceber que era a casa de um Alfa pelo tamanho. A da Elara, por outro lado, era ostentação pura, cheia de arquitetura grandiosa. Até a do Ryker era exagerada, com cômodos que pareciam apartamentos inteiros. Já o Alfa James tinha construído a casa como um lar de verdade, grande o suficiente para uma família grande. Ficava no final de uma estrada circular longa, cercada por árvores nos fundos, e eu nem sabia quantas horas passamos brincando ali quando éramos crianças. O revestimento azul com as janelas brancas deixava tudo com um ar acolhedor, confortável. E os cômodos tinham um tamanho normal, nada exagerado... Afinal, ele não construiu aquilo para competir com outros Alfas, construiu para a família e para os amigos.
O escritório seguia a mesma linha, grande o suficiente para cinco ou seis homens do tamanho de um Alfa ficarem confortáveis. Havia alguns retratos de família nas paredes, mas nada em excesso, e apenas uma estante de livros. Uma vez, ele disse que deixava toda a história da alcateia com os Anciãos, lá nos espaços deles, porque não queria aquela bagunça ali, o que fez todo mundo rir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Indesejada do Alfa
E a história da Kennedy + Ryker nunca mais voltou.......
Parecis legal. Mas ai começa o autoritarismo e machismo e tudo perde a graça e fica mais do mesm9...