(Ponto de Vista de Elara)
Aquela raiva ficou ali, presa dentro de mim, borbulhando por eu ter sido forçada a usar o comando de Alfa contra um dos meus, quase transbordando. Eu sabia que o Ben sentia isso, mas ele não falou nada, nem sequer questionou.
E era exatamente isso que eu sempre quis evitar… Nossa alcateia nunca foi grande, pelo contrário, sempre foi pequena demais pra esse tipo de imposição, então não tinha por que forçar obediência quando a liderança podia ser construída do jeito certo. Foi o que minha mãe sempre mostrou, e ela era respeitada por todo mundo. Meu pai também conduzia tudo com equilíbrio e paciência. Eu devia ser capaz de fazer igual. Mas, claramente, alguma coisa se perdeu no meio do caminho.
Depois de terminar de apresentar o Ben pra alcateia, ficou claro que a maioria já conhecia ele, assim como o resto do pessoal do Arco Lunar de Prata, já que passaram bastante tempo por aqui. Eles sempre souberam se enturmar fácil, fazendo amizade sem esforço. E, claro, não passou batido pra mim o jeito que mais de uma fêmea ficou olhando pra ele tempo demais, e, mesmo odiando admitir, ele era bonito daquele jeito certinho e rígido. Se fosse humano, se encaixaria fácil entre oficiais militares, com o cabelo sempre no lugar, roupa impecável e tudo perfeitamente ajustado. “Ah, não! Eu ainda estava com raiva dele…” Não dava para ficar pensando no quanto ele era atraente, muito menos em como aquele sorriso irritante fazia até fêmeas já marcadas rirem e corarem.
— Ei, El. Já acomodamos o grupo e está tudo pronto. A Briana disse que eles estão bem por hoje e que não precisamos nos preocupar com o jantar. Mais alguma instrução? — Jax perguntou.
— Graças à Deusa!
— Sério? Nem demorou tanto assim.
— Desculpa, não foi pra você. Eu só preciso que esse dia acabe logo. Diz pra Briana que o grupo pode tomar café da manhã na casa da alcateia. A Melanie está animada para conhecê-los, inclusive acho que ela está torcendo pra aprender alguns truques novos na cozinha. Depois disso, a gente monta um plano de por onde começar a rastrear e desfazer qualquer magia prejudicial. Também coloca uma patrulha com eles, caso precisem de alguma coisa durante a noite.
— Pode deixar, Alfa.
Saí da última loja e nem olhei para trás. Meu corpo já não respondia direito de tão cansado, e minha cabeça latejava. Era coisa demais acontecendo ao mesmo tempo, e a sensação era de não estar mudando nada. Naquele momento, já tinha anoitecido. Então, eu só precisava comer alguma coisa e apagar, porque o dia seguinte prometia ser pior ainda.
— Ei! Espera. Pra onde você vai? — Ouvi a voz do Ben atrás de mim. Eu estava discutindo mentalmente com algumas fêmeas da alcateia sobre ele minutos atrás e, logo depois, simplesmente esqueci que ele estava comigo. “Eu realmente precisava dormir…”
Passei a mão no rosto e diminuí o passo.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Indesejada do Alfa
Parecis legal. Mas ai começa o autoritarismo e machismo e tudo perde a graça e fica mais do mesm9...