(Ponto de Vista de Ben)
“Não olha ela indo embora. Não olha ela indo embora. Não olha ela indo embora.” O mantra repetia na minha cabeça, tentando abafar meu lobo, que insistia em mudar tudo para “vai com ela”. Aquela tinha sido a conversa mais longa e produtiva que tivemos em muito tempo. Normalmente, eu recebia respostas curtas e diretas, enquanto ela fazia questão de olhar para qualquer coisa que não fosse eu. Segundo o meu lobo, eu deveria ter paciência e dar tempo a ela. Já a parte lógica da minha mente dizia que ela estava apenas descobrindo a melhor forma de me rejeitar quando tudo isso acabasse, sem machucar o lobo dela… Nem o meu.
Eu não achava que ela tivesse algo pessoal contra mim, além do fato de eu ser homem. Sabia que ela ainda estava presa à questão de ser uma Alfa fêmea, mas tinha certeza de que já tinha deixado claro que não queria tomar o lugar dela. Não queria mesmo. Tanto que os guerreiros sabiam disso... Aquela posição era direito dela, não meu. E ficaria ao lado dela sem pensar duas vezes, mas alguém colocou na cabeça dela que, assim que nos vinculássemos, eu tomaria o título e a alcateia. “Talvez eu não fosse o único sendo afetado por magia...”
Logo, decidimos ir de carro em vez de correr, caso fosse necessário transportar mais coisas.
Tentei falar com o Junior no dia anterior, mas não tive resposta. Então, tentei de novo antes de sairmos, e depois procurei a Luna Sam. No fim, deixei mensagens para os dois e seguimos viagem, com ou sem aviso.
Durante todo o trajeto, a sensação de inquietação não me abandonou. Eu queria correr, soltar meu lobo e aliviar aquela pressão que insistia em se acumular no meu peito. “Por que eles não responderam? Não era do feitio de nenhum dos dois simplesmente sumir assim...” Também chamei o Jason, já que seria bom ver um rosto familiar no meio da adaptação à nova alcateia.
Tudo parecia normal ao longo do caminho. Nada indicava que havia algo errado, mas aquela sensação persistia. Além disso, ainda tínhamos a questão da magia. Diante disso, aproveitei para atualizar Damon e Owen sobre a minha reação àquilo, como se eles já não tivessem sido informados pelos líderes deles. Ainda assim, foi bom perceber que eles não interromperam. Ouviram com atenção e fizeram perguntas próprias sobre o que eu senti.
Assim que cruzamos o território neutro que separava a Presa Escarlate da Garra Negra e entramos na floresta deles, a dor de cabeça veio junto com a náusea.
— Tem magia aqui também. — Resmunguei, pressionando as têmporas enquanto tentava controlar a respiração, como Briana tinha me ensinado. Se eu não podia lutar contra aquilo... Então precisava usar a sensação como guia. — Estamos perto. Se quiserem parar e verificar se esses marcadores são iguais aos que encontramos em casa…

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Indesejada do Alfa
Parecis legal. Mas ai começa o autoritarismo e machismo e tudo perde a graça e fica mais do mesm9...