(Ponto de Vista de Kennedy)
— Então, se o gato saiu… O que os ratos vão fazer? — Tommy provocou.
— Esta ratinha tem lição de casa para fazer e o Beta me deu algo para testar neste fim de semana, então vamos brincar de esconde-esconde. — Todos me encararam na hora. E, pelas expressões chocadas, percebi que eu teria que lutar pela minha liberdade.
— Não é uma boa ideia, Ken. Você ouviu o Jeremiah. Ele vai surtar se descobrir que deixamos você sozinha na floresta. — Ben tentou encerrar o assunto antes mesmo de começarmos.
— Foi ideia do seu pai! Ah, qual é, Ben! Por favor?
— É… Não.
— Jason, me ajuda... Foi um trabalho passado pelo Beta. Vocês podem conferir com ele!
— Posso garantir que ele não te daria essa tarefa justo no fim de semana em que o Alfa, a Luna, o Gama, o Delta e o Jeremiah estão fora. Até ele sabe o que o Jer vai fazer se algum de nós permitir isso. E ele estará ocupado administrando toda a alcateia por dois dias, então ninguém vai supervisionar. Nem chance. Eu te amo, Ken, mas eu gosto ainda mais das minhas bolas. — Ele riu.
— Credo… Tommy? O que você diz?
— Se eles estão fora, eu também estou. Você dá trabalho quando entra no modo teste, e isso meio que faz meu cérebro doer.
— Sério? Que saco… Traidores! — Eu já esperava aquela resposta, mas ainda assim valia tentar. — Vou me trocar. A gente ainda vai ter noite de filme? Ou nem isso estou autorizada a fazer, já que Jeremiah não vai estar presente? — Afastei-me antes que eles pudessem dizer qualquer coisa, já que, mesmo não sendo culpa deles, aquela sensação de estar presa me consumia. Ficou evidente para mim que eu ainda não tinha provado meu valor, e, por isso, eu apenas teria que intensificar meu treinamento.
— Relaxa, vamos ver o filme. — Tommy gritou pelo corredor. — Você vai usar aquela coisa sexy que eu te dei de Natal? — Virei para encará-lo com um olhar maligno, mas perdi a postura quando ele arqueou as sobrancelhas.
— Nem em um milhão de anos, traidor. — Sorri. — Pela sua total incapacidade de criar coragem para me ajudar, eu vou usar um monte de camadas de roupa. — Virei para ir ao meu quarto quando ouvi ele murmurar:
— Camadas tornam tudo mais interessante… Vai ser tipo desembrulhar um presente. "Um completo tarado!"
O fim de semana inteiro passou sem que fizéssemos quase nada e eu mal saí do meu quarto, quem dirá da casa da alcateia, já que isso evitava o interrogatório inevitável sempre que eu tentava sair. Mantive-me afastada dos meninos e, conforme o Jeremiah permanecia longe, minha irritação aumentava por me sentir presa, mesmo sabendo que eles não mereciam carregar o peso da minha frustração.
No domingo, a tia Beth me ligou, enquanto os outros meninos receberam um vínculo mental do tio James. Eu não tinha acesso a esse vínculo por não ser oficialmente parte da alcateia. Os anciãos haviam encontrado registros dizendo que humanos não eram capazes de suportar um vínculo de alcateia e que tentar poderia me matar. A tia Beth, claro, rejeitou a possibilidade na mesma hora, sem sequer abrir espaço para debate.
Algo tinha acontecido e eles precisaram ficar mais um dia, e isso não combinava com o jeito dela, já que a tia Beth raramente era tão vaga, embora talvez houvesse outras pessoas por perto e esse "algo" não fosse de conhecimento geral. Eu sentia falta do Jeremiah e os pesadelos estavam piorando. Os meninos sabiam disso, mas era só mais uma daquelas coisas que jamais comentávamos.
Depois da ligação, o Ben passou a noite comigo sem fazer perguntas e sem esperar o pesadelo acontecer, apenas me acompanhou até o quarto em silêncio, deitou atrás de mim e me envolveu enquanto eu agarrava a camisa do Jer, respirando aquele cheiro que já começava a desaparecer após dois dias. Os pesadelos sempre pioravam quando eu não esperava que o Jer estivesse longe, e, mesmo sem entendermos a conexão que compartilhávamos, era como se fôssemos gêmeos de verdade, capazes de sentir as emoções um do outro e de nos comunicar sem falar ou usar o vínculo mental, como se tudo fosse instintivo.
A pior parte era que eu não tinha recebido nenhuma mensagem do Jeremiah havia dois dias, e eu nem me lembrava de alguma vez termos ficado mais de 24 horas sem falar ou trocar mensagens. Nada parecia errado, embora algo tivesse mudado de forma evidente, algo tão palpável no ar que me deixava profundamente inquieta.
A segunda-feira na escola se arrastou, já que, mesmo com o Ben tentando me tranquilizar, o pesadelo girava sem parar na minha cabeça e eu não conseguia escapar daquele ciclo. Estávamos ambos cansados, mas ele sabia esconder, então adotei sua postura e atravessei o treino da manhã e a primeira aula em silêncio absoluto.
Eu estava perdida nos meus pensamentos depois de trocar os livros no armário para ir para a segunda aula, quando ouvi uma voz:
— Estava ocupada demais se divertindo ontem à noite? Você está meio acabada, mas talvez seja assim que você gosta. É assim que você mantém todos aqueles garotos entretidos? Espero que eles te paguem bem pelos serviços, humana.
— Tão engraçadinha, Janelle. Fico feliz em ver que nosso sistema educacional não foi desperdiçado com você. — Eu me afastei sem nem olhar para ela, certa de que levaria alguns minutos até perceber que eu a chamara de burra, tempo mais do que suficiente para eu chegar à próxima aula.
— Elas ainda estão nessa? — O Jason perguntou do assento atrás do meu e eu praticamente pulei, porque aquele ninja infeliz sempre aparecia do nada.
— Sim. Essa história é velha, mas elas retomam essa merda toda vez que o Jer fica longe e elas não têm mais assunto. Pelo visto vocês não são intimidadores o suficiente para afastá-las só de aparecer, então tratem de melhorar isso. — Dei um sorriso fraco.
— Bom, pelo menos seu humor está funcionando. Ah… Temos que ir. Agora.
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