(Ponto de Vista de Ryker)
Tudo aquilo começou a se encaixar de um jeito que me deixou inquieto. "Por que ele estaria tão preocupado com ela? Se ninguém conseguia falar com ela, como poderiam saber que ela tinha ficado sozinha? E o pior era saber que ninguém conseguiu contato algum durante esse tempo... Ele disse que odiava quando ela sumia daquele jeito, então isso claramente já tinha acontecido antes." Minha mente entrou em espiral. Meu peito se apertou ao pensar nela isolada, sem apoio imediato, mesmo estando dentro da minha alcateia… E, agora, ali na minha frente. Meu impulso era ir até ela, tocá-la, puxá-la para perto. Aquilo acalmaria a mim e ao meu lobo, mas ainda não podíamos.
"M*rda!" Inspirei fundo e soltei devagar. Manter a calma era essencial, já que qualquer deslize poderia me fazer mudar de forma sem perceber. Na verdade, eu não passava por algo assim desde a minha primeira transformação. Por isso, continuei reforçando para o meu lobo que ninguém fazia ideia de que ela era nossa companheira e que, definitivamente, não seria dessa forma que ela ficaria sabendo, se um dia eu decidisse falar.
Segui todo mundo para dentro, focando em acalmar meus próprios pensamentos e os do meu lobo ao mesmo tempo, porque eu precisava prestar atenção naquela conversa. Aquilo não era à toa, e eu sabia que tinha um motivo.
Agradeci mentalmente à Deusa pela Greta estar ali. E bastou olhar pra cara dela para perceber que estávamos em sintonia.
— Eles não te integraram à alcateia? — "O quê? O que foi que eu perdi?"
Greta se afastou com ela e, mesmo com minha audição aguçada, havia gente demais falando para que eu conseguisse localizá-las do outro lado do campo.
"Ela não foi integrada à alcateia?" Foi isso que eu ouvi... "Ela era uma humana em uma alcateia de lobos, visitando outra alcateia, sem laços sólidos com nenhuma das duas? Então, se houvesse um ataque ou uma emboscada e ela fosse levada, nós nunca a encontraríamos! Que absurdo!"
Nesse momento, eu parei de me importar com quem estava ouvindo. Bem, não totalmente… Mas deixei minhas emoções assumirem o controle.
— Jeremiah? — Chamei.
Ele se virou para mim.
— O que foi?
— Eu ouvi direito? A Kennedy não faz parte oficialmente da sua alcateia e ela costuma desaparecer do nada?
— É… Algo do tipo. — O olhar dele escureceu, embora tentasse disfarçar. Pelo menos eu sabia que ele não estava bem com o fato dela sumir… — É uma longa história… E, não… Ela não desaparece. Ela só é muito boa em se esconder de todo mundo.
— Chega mais, vem se aquecer um pouco. Eu não costumo lidar com humanos na minha alcateia, mas uma que eu assumi tem, então quero entender melhor. Essa garota já está com vocês faz tempo. Se ela é tão importante assim, por que continuar adiando? Dá para ver que ela significa muito para você e, se minha irmã não tiver problema com isso, eu também não vou ter. Ela claramente tem um lugar entre vocês e sabe lutar. Qual é a história? — Eu não fui totalmente honesto. Nem sabia ao certo se minha nova alcateia tinha humanos, só queria puxar a conversa, ouvir o que ele tinha vivido e entender melhor o que existia entre eles. E colocar minha irmã no meio tornava tudo mais fácil de justificar.
— Não é tão complicado assim. A Kennedy e eu somos próximos, tão próximos quanto dá para ser sem sermos irmãos de sangue, talvez até mais, considerando a nossa situação. — A essa altura, eu estava completamente focado nele, sem nem tentar disfarçar que o aquecimento tinha ficado para trás.
— O que você quer dizer com isso? Dá pra confiar minha irmã a você? — Lancei meu melhor olhar de irmão protetor, embora odiasse admitir que pensei nos meus próprios sentimentos antes dos dela.
— O quê? Ah, sim... Às vezes eu esqueço que isso não é óbvio pra todo mundo. Desculpa. Na nossa alcateia isso é algo que todo mundo sabe. Eu e a Kennedy somos praticamente gêmeos.
— Praticamente como? — Eu estava ficando irritado com tanta volta. Não deveria ser tão difícil obter respostas claras de alguém que não era um inimigo…
— Nossas mães eram melhores amigas. A mãe dela estava visitando a minha quando as duas entraram em trabalho de parto ao mesmo tempo, lá na minha alcateia. A gente nasceu no mesmo dia, com poucos minutos de diferença. Desde então, somos melhores amigos. Nossa ligação sempre foi coisa de gêmeos. E a vida inteira trataram a gente como se fosse.
— Ainda não explica por que ela não é membro oficial da alcateia nem por que ela some.
— Porque ela não pode ser, sem se machucar ou morrer. Um dos nossos anciãos encontrou informações dizendo que integrar um humano à alcateia com nossos rituais o mataria, já que a magia que nos torna metamorfos é forte demais para os corpos fracos deles. Depois do que aconteceu com os pais dela, minha mãe nem quis ouvir falar em pesquisar mais, muito menos testar a teoria. — Ele deu de ombros.
"Sério mesmo? Uma pessoa disse não e pronto, eles simplesmente desistiram, mesmo sabendo que ela se colocava em perigo todos os dias só por estar ao nosso lado? Sem falar que treinar como guerreira já era duro para um lobo, para uma humana devia beirar a tortura masoquista... A mãe dele era uma idiota!"
— Você nunca questionou isso?
— A Ken e eu tentamos por um tempo, mas minha mãe descobriu e agora temos uma ordem de Alfa do meu pai proibindo qualquer tentativa. Acho que ela tem mais medo de perder a Ken do que qualquer outra coisa, pois é o último elo com a melhor amiga dela, e isso a deixa um pouco desequilibrada.
— Mais desequilibrada do que a ideia de que um simples arranhão de um lobo pode ser fatal para ela durante o treino, ou do fato dela ter ficado perdida por horas na minha alcateia porque ninguém conseguiu fazer um vínculo mental com ela? — Perguntei mais ríspido do que pretendia. — Se eu soubesse disso, teria designado um guerreiro para acompanhá-la.
— E ela teria acabado com você só por sugerir isso. — Ele riu, sombrio.
— Pouco provável. — Murmurei, embora eu e meu lobo soubéssemos que, se ela quisesse reclamar, nós deixaríamos.
— Quando o assunto é a Kennedy, qualquer palavra errada vira problema. Se ela sentir condescendência, reage na hora e ainda faz o possível para te contrariar. E antes que você me jogue isso nas costas, nós não podemos ir contra a ordem até eu assumir como Alfa. No fundo, todo mundo está esperando por esse momento. — Ele fez uma pausa, e depois continuou:
— A Ken faz questão de manter minha mãe no escuro sobre o fato de que, às vezes, a gente não consegue localizá-la. É praticamente a última liberdade que sobrou para ela, e eu não vou tirar isso também. Ela já perdeu muita coisa nessa vida. Meus pais são superprotetores num nível sufocante, então eu considero quase um milagre ela estar aqui agora, ainda mais porque eles ficaram presos na cúpula desde que encontrei a Rayna. Foi pura sorte. Minha mãe, inclusive, anda tentando descobrir um jeito de impedir que ela vá para a faculdade no próximo outono. A Kennedy não faz ideia disso, e surtaria se descobrisse. E caso ainda reste qualquer dúvida: não se engane, ela é tão Alfa quanto você e eu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Indesejada do Alfa
E a história da Kennedy + Ryker nunca mais voltou.......
Parecis legal. Mas ai começa o autoritarismo e machismo e tudo perde a graça e fica mais do mesm9...