(Ponto de Vista de Ryker)
— Ei, cara. Eu sinto muito. Essa coisa de companheira está ferr*ndo com a minha cabeça. Ela está bem?
Ele deu de ombros.
— Espero, de verdade, não ser tão estúpido assim quando a minha companheira surgir. Não tenho tempo para esse circo que você e o seu lobo resolveram montar, especialmente agora, que virei guarda em tempo integral da Luna por prazo indefinido, já que, na visão dela, você é um babaca.
— Ela disse isso?
— Talvez não desse jeito tão direto, mas é fácil imaginar que seja um pensamento compartilhado, e, sendo tão esperta quanto é, ela provavelmente concorda, principalmente vendo como você insiste em tratá-la.
— Vai se fod*r, namoral. Eu nunca quis uma companheira e isso nunca foi segredo. Tenho inimigos demais para colocá-la no meio disso. Depois do que aconteceu com meus pais, achei que essa parte estivesse clara para todo mundo. Até pensei que a Deusa estivesse do meu lado, mas me enganei. Ela esperou minha irmã encontrar o companheiro dela e, por pura crueldade, me deu uma humana frágil. Ela não pode se transformar nem se defender. O que você espera que eu faça com isso?
— Falar com ela seria um bom começo, seu imbecil. Talvez ela esteja sentindo o mesmo e vocês consigam resolver isso juntos. Isso não é só sobre você, nunca foi. No entanto, arrumar essa confusão é responsabilidade sua... Até lá, eu vou ficar aqui, aguentando a música raivosa dela e passando a noite em claro, até que outro guerreiro possa assumir meu lugar por algumas horas. — Apontando o polegar para a porta, ele deixou claro o recado. A música estava ali, audível, porém não passava disso para mim. — E só para constar, ela sabe revidar. Você quer ajuda para lembrar ou dá conta de recordar sozinho que ela te derrubou no treino?
Ignorei a provocação.
— Há quanto tempo vocês estão aqui em cima?
Ele olhou o relógio.
— Um pouco mais de uma hora. Ela saiu jogando algumas coisas pelo quarto, ligou a música, entrou no banho e, logo depois, deu para ouvir quando se deitou. Por quê? — Ele já estava de pé, sentindo minha apreensão.
— Eu não consigo sentir o cheiro dela nem ouvir a respiração.
— Como assim? O cheiro dela está por todo esse andar. E seja lá qual for o sabonete que ela usa, é forte pra car*lho.
— O cheiro dela está fraco, parece velho. Se ela realmente estivesse aí dentro, ia ser bem mais marcante. Abre logo essa porta.
— Ela trancou.
— Eu não dou a mínima. — Sem esperar mais, passei por ele e dei um chute na porta, quebrando tudo, enquanto torcia para estar errado e dar de cara com ela, viva e furiosa comigo. Só que não. Ela não estava ali...
Num pulo, ele cruzou por mim, vasculhou o banheiro e foi direto checar o closet. Contudo, fiquei imóvel, vidrado na janela aberta, tentando controlar a respiração que saía trêmula. "Onde ela se meteu?" No fim, Bennet parou do meu lado, acompanhando meu olhar.
— P*rra! — Ele gritou, e o berro no meu ouvido foi o estalo que me fez reagir. Saltei pela janela me transformando no ar, rasgando o terno no processo, com Bennet vindo logo atrás.

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