O olhar de Rafael escureceu.
A única pessoa do Grupo 1 que precisava de papel antigo era Flávia. Agora, estava óbvio quem Heloísa estava visando.
Ele foi até o Grupo 2 de Restauração, bateu na porta e entrou.
Quando Heloísa o viu, seu rosto se iluminou de alegria e ela foi até ele. — Rafael, você veio?
Seu tom familiar fazia parecer que os dois eram amigos de longa data.
— Srta. Heloísa. — Rafael pareceu não notar a forma como ela o chamou. — O supervisor do armazém disse que você levou todo o papel antigo. Vim pegar duas folhas.
A expressão de Heloísa congelou.
No fundo, ela esperava que a Flávia viesse até ela para pedir o papel antigo. Ela com certeza seguraria o papel antigo e não o soltaria. Assim, Flávia não conseguiria restaurar a pintura no tempo estipulado.
Ela, então, se apresentaria para resolver a crise voluntariamente, e o Leilões Império a olharia com bons olhos, enquanto Flávia perderia a reputação.
Mas quem apareceu foi o Rafael. Se quisesse manter uma boa relação com ele, não teria outra saída a não ser entregar o papel antigo.
No entanto, ele não havia corrigido a forma como ela o chamou agora pouco. Será que isso significava que ele não resistia mais a ser seu amigo?
— Certo, vou pegar para você.
Rafael não deixou de notar a decepção no rosto dela pela falha no cálculo.
Ele zombou em seu coração.
Heloísa trouxe o papel antigo. — Rafael, veja se tem algum adequado.
Rafael escolheu duas folhas e sorriu. — Obrigado, Srta. Heloísa.
— De nada. — Heloísa disse.
Sem esperar que ela continuasse a falar, ele abriu a boca novamente: — Vou voltar ao trabalho agora.
Depois de dizer isso, sem esperar a resposta de Heloísa, ele deu as costas e saiu do Grupo 2 de Restauração.
Rafael entregou o papel antigo para Flávia e não contou a ela que Heloísa havia levado tudo.
Não havia necessidade.
Flávia saiu do Leilões Império uma hora mais cedo e foi ao hospital fazer exames.

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