Heloísa ergueu o queixo. — Não vão me perguntar mais nada?
— Não, não. — O Comissário Barros secou o suor da testa. — Você é a namorada do Sr. Monteiro, não tem por que se misturar com pessoas do tipo do Sr. Diniz.
A atmosfera sombria emanada pelo Sr. Monteiro era quase sufocante. Se ela não fosse embora logo, seu coração não iria aguentar.
— Então, já vou indo.
Heloísa se aproximou de Valentino sobre seus saltos altos. — Valentino, estou com tanta fome, vamos comer.
Flávia, o que importa se você desconfia de mim? Eu vou sair daqui sã e salva de qualquer jeito.
O olhar nem quente nem frio de Valentino mirou o comissário. Ao ouvir as palavras dela, ele conteve a própria aura.
— Hum.
Flávia havia recebido uma ligação vinte minutos antes, dizendo que Larissa Paiva tinha fugido e fora recapturada, e pediram para que ela viesse fazer o reconhecimento.
Ela entrou no saguão.
O homem vestia um terno azul-celeste, com as calças bem ajustadas cobrindo suas pernas compridas.
Em seu braço repousava uma mão branca e fina. Seguindo aquela linha, Heloísa estava usando roupas de grife e uma maquiagem impecável, parecendo um pouco deslocada dentro da delegacia.
O homem virou a cabeça e seus olhares se cruzaram.
Flávia desviou o olhar e continuou andando lá para dentro sem olhar para os lados. — Olá, onde está Larissa Paiva?
— Está a caminho, deve chegar à delegacia em uns dez minutos.
— Certo, obrigada.
Flávia foi até a cadeira mais distante de Valentino, sentou-se e ficou aguardando em silêncio.
Ela conseguia sentir o olhar do homem.
No entanto, ela não queria dar bola.
Vendo que Valentino continuava encarando Flávia, Heloísa puxou o braço dele.
Manhosa, ela disse: — Valentino, estou com fome, vamos comer.
— Espera um pouco.
A voz dele não dava pista de como ele se sentia.
Ouvindo os passos familiares, Flávia enrijeceu as costas.


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