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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 138

Ao ver o ódio estampado nos olhos dela, Ricardo sentiu o peito apertar, como se algo pesado comprimisse seus pulmões, dificultando a respiração.

Naqueles minutos de impasse, a mão que segurava o pulso dela foi perdendo força até a soltar completamente.

— Me desculpa. Eu não sabia que a ambulância ia demorar tanto.

Ver aquele homem sempre tão altivo e controlado se rebaixando, pedindo desculpas, tentando se justificar... em outro momento, talvez tivesse algum significado. Mas agora era tarde demais.

Os olhos de Luana estavam vermelhos, um gosto metálico subindo pela garganta. Ela soltou uma risada sem humor, carregada de dor.

— Dor no peito, AVC... pacientes assim têm prioridade no atendimento, você sabe muito bem disso. Uma criança que caiu de dois metros de altura não podia esperar alguns minutos por uma ambulância? Precisava mesmo disputar vaga com um paciente infartado? Aqueles minutos eram o tempo crítico para meu pai, a única chance que ele tinha... e vocês simplesmente arrancaram isso dele!

O corpo inteiro dela começou a tremer de forma incontrolável, as emoções transbordando. A respiração ficou curta e ofegante, a cabeça começou a rodar, a visão foi escurecendo, e ela sentiu as pernas bambearem.

O peito de Ricardo se contraiu. Num reflexo desesperado, ele a puxou para os braços.

— Luana!

Mas ela se contorceu nos braços dele, rejeitando o contato.

— Sai de perto de mim!

Ela empurrou o peito dele com força. No instante seguinte, as forças a abandonaram e ela desabou no chão, perdendo a consciência. A última coisa que ouviu antes de tudo mergulhar no escuro foi a voz desesperada dele.

...

Eram cinco da manhã do final de julho. Pela janela, o dia começava a clarear.

Quando Luana abriu os olhos, a primeira coisa que viu foi a bolsa de soro pendurada ao lado da cama. A decoração do quarto era conhecida, assim como aquele cheiro de desinfectante hospitalar. Estava no hospital particular da família Ferraz.

— Você acordou. — Disse uma voz masculina, rouca e grave.

Luana virou a cabeça.

Ricardo estava sentado no sofá perto da janela, as pernas cruzadas, folheando uma revista. O paletó estava jogado no encosto da cadeira ao lado. Era óbvio que havia passado a noite ali. Os olhos dele estavam levemente inchados, com aquela expressão de cansaço de quem não pregou o olho.

Se fosse em outra época, ver ele velando por ela desse jeito teria deixado Luana profundamente tocada. Mas agora não despertava nada além de vazio.

Ela tentou se levantar, apoiando o cotovelo no colchão. Ricardo franziu a testa, largou a revista e já estava de pé, empurrando-a gentilmente de volta para os travesseiros.

— Você teve um colapso por exaustão emocional e física. Precisa descansar.

Nos três dias seguintes à morte de Douglas, ela mal havia dormido. Quando voltou para Bela Vista, o corpo já estava no limite. Mesmo assim, ouvir aquilo dele a irritou.

— Não posso nem ir no banheiro?

A expressão tensa de Ricardo suavizou um pouco. Ele ia pegar o suporte do soro, mas Luana afastou a mão dele com um tapa seco.

— Não preciso da sua ajuda.

— Meu Deus, você quase me matou de susto. — Disse Agatha, segurando a mão da filha. — Agora só tenho você e Luiz. Se acontecesse alguma coisa com você também...

Pela primeira vez em muito tempo, Luana viu lágrimas nos olhos da mãe. Ela apertou a mão de Agatha de volta, forçando um sorriso.

— Mãe, fica tranquila, não vai acontecer nada comigo. Valorizo demais a minha vida, pode acreditar.

Agatha assentiu, limpando os olhos, e sorriu de volta com ternura maternal. Soltou a mão devagar, alisou o cabelo da filha e se levantou.

— Vou comprar um café da manhã decente para você. Essas coisas de hospital não prestam.

Enquanto observava a mãe saindo, Luana sentiu uma mistura confusa de sentimentos. Era a primeira vez que sentia genuinamente o carinho materno direcionado a ela. Mas doía perceber que esse amor só havia aparecido após perder o pai e com o irmão em coma.

...

Luana passou dois dias internada. No terceiro, insistiu tanto que os médicos liberaram sua alta, ainda que com recomendações de repouso. Após assinar os papéis e pegar seus pertences, foi para um canto do corredor e pegou o celular, discando o número do advogado.

Ele atendeu rápido.

— Sra. Ferraz?

Luana respirou fundo, a voz saindo firme e decidida:

— Aquele acordo de divórcio... pode enviar para o Ricardo agora. Quero que ele receba hoje mesmo.

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