O show finalmente acabou. Os vizinhos curiosos foram se dispersando aos poucos, e o pátio voltou àquela quietude.
Luana se soltou da mão de Ricardo com um puxão seco e foi direto para o lado de Agatha.
— Pronto, todo mundo já foi embora. Não precisa mais ficar bancando o genro preocupado. Ricardo, você não é bem-vindo aqui.
Ricardo nem se mexeu. Continuou ali parado, os olhos fixos na própria mão, como se ainda conseguisse sentir o calor dos dedos dela. A expressão no rosto dele era densa. Após um tempo, ele finalmente falou.
— Tudo bem, vou embora. Mas ele também vai ter que ir.
Bernardo apenas sorriu, sem dizer nada.
— Bernardo é convidado da minha família. Você não tem o direito de decidir se ele fica ou vai. — Disparou Luana.
— Luana.
Ricardo ergueu os olhos devagar e a encarou. O olhar dele era intenso, quase queimando. Ele só disse o nome dela, e mais nada.
— Sr. Ricardo, fui eu quem convidou o Bernardo. — Agatha deu um passo à frente, colocando-se entre eles. O rosto dela estava cansado, mas os olhos brilhavam com mágoa e raiva contida. — Quando meu marido morreu, foi o Bernardo quem nos ajudou com tudo, com o velório, com o enterro... Eu só queria retribuir essa gentileza, convidando ele para um almoço aqui em casa. Sr. Ricardo, pelo amor de Deus, pelo menos respeite a memória do pai da Luana. Não dificulte ainda mais as coisas pra gente. Só sobramos eu e minha filha agora, minha família já está destruída. O senhor ainda quer tirar o pouco que nos resta?
Ricardo sentiu um aperto no peito. O rosto dele ficou tenso, travado.
Após um silêncio pesado, ele relaxou um pouco a expressão, e a voz saiu mais suave:
— Sogra, eu... lamento muito pelo que aconteceu com seu marido. Vou investigar tudo direitinho, eu prometo.
— Fique à vontade.
Agatha virou as costas e entrou na casa. Luana foi atrás dela sem nem olhar para trás. Do começo ao fim, nem um único olhar foi dado a ele.
Quando Bernardo passou por Ricardo, seus olhos se cruzaram por um instante e ele sorriu provocadoramente.
Os olhos de Ricardo se estreitaram, ganhando um brilho frio e calculista.
...
Em casa.
Agatha já estava na cozinha, as mãos ocupadas cortando legumes. Luana apareceu ao lado dela para ajudar.
Enquanto cortava, Agatha não conseguia esconder a preocupação no rosto.
— A gente precisa transferir seu irmão para outro hospital, filha. Foi tudo culpa minha... eu não devia ter aceitado a ajuda dele tão fácil assim. Agora o Luiz está completamente à mercê desse homem.
Ela virou o rosto para o lado, limpando as lágrimas que começaram a cair. Estava arrependida, e com medo.
— Agora fico apavorada pensando que ele pode fazer alguma coisa com o Luiz.
A família Ferraz era poderosa demais. Não tinha como competir com eles.
Lá fora, no pátio, quando ela havia confrontado Ricardo, falou tudo aquilo porque não tinha escolha. Precisava se impor, mesmo tremendo por dentro. O ódio estava lá, sim, mas junto vinha o medo, medo de retaliação, medo do que ele podia fazer.

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