Valentino manteve a expressão impassível, respondendo com educação formal:
— Agradeço a sua gentileza, mas infelizmente trouxe meu próprio carro.
Ricardo sustentou o olhar dele por um momento antes de responder com um tom carregado de significado:
— Que pena, então. Fica para outra ocasião.
Luana se despediu de Valentino com um aceno breve e entrou no carro de Ricardo, acomodando-se no banco traseiro enquanto sentia o peso da tensão que pairava no ar.
Durante todo o trajeto de volta, nenhum dos dois disse uma palavra sequer, o silêncio pesado e incômodo preenchendo cada centímetro do interior do veículo.
Percebendo a atmosfera sufocante que tomava conta do espaço, Fernanda colocou uma música instrumental suave para tocar, na esperança de aliviar um pouco o clima tenso.
Ricardo olhou pela janela, observando a paisagem urbana que passava rapidamente, e quebrou finalmente o silêncio com uma pergunta aparentemente casual:
— A reunião foi agradável?
Luana soltou uma risada leve, mas havia uma ponta de provocação em seu tom:
— Foi bem agradável, sim. Até troquei algumas palavras com sua ex-namorada. Ela estava deslumbrante, como sempre.
A expressão calma de Ricardo, que até então parecia esculpida em pedra, finalmente mostrou um lampejo de emoção. Ele virou o rosto para encará-la, e seus olhos revelaram uma profundidade misturada com sentimentos complexos que ele normalmente mantinha escondidos.
— Se você não consegue passar um único dia sem mencionar ela, como é que vamos seguir em frente com esse casamento? — Questionou ele com uma voz baixa, mas carregada de frustração contida.
— E se eu dissesse que realmente não consigo, você se divorciaria de mim? — Desafiou Luana, encarando-o de volta sem desviar o olhar.
Ricardo não respondeu, apenas voltou a fitar a janela com uma expressão indecifrável. O silêncio voltou a reinar até que Fernanda apertou o fone bluetooth e atendeu uma ligação que havia entrado. Após ouvir o que a pessoa do outro lado disse, ela lançou um olhar pelo retrovisor com uma expressão incerta.
— Sr. Ricardo, aquela Luciana... quer dizer, a Srta. Luciana ligou pedindo para falar com a senhora. — Informou ela, hesitando um pouco antes de continuar. — Ela disse que quer marcar um encontro amanhã de manhã.
Luana franziu as sobrancelhas, genuinamente surpresa com aquele pedido inesperado.
— Comigo? Ela quer falar comigo?
Fernanda também parecia confusa com a situação toda e confirmou com um aceno.
— Foi exatamente isso que me passaram. Ela foi bem específica quanto ao horário e disse que é importante.
Ricardo respondeu com indiferença, sem tirar os olhos da paisagem lá fora:
— Não vá.
— Vou sim. — Interrompeu Luana com firmeza, cruzando os braços numa postura desafiadora. — Por que eu não iria? Estou curiosa para saber o que ela quer comigo.
Fernanda lançou um olhar preocupado para Ricardo pelo retrovisor, aguardando alguma reação mais contundente. Ele apenas esfregou a ponte do nariz com os dedos, mas não disse mais nada durante o resto do trajeto.
...
— Como assim? Você acha pouco? — Respondeu Luciana, franzindo as sobrancelhas.
— Sim, acho pouco. Trezentos milhões seria um valor mais razoável e condizente. — Declarou Luana com uma tranquilidade desconcertante.
Luciana se levantou de repente com tanta força que a cadeira rangeu, batendo as duas mãos na mesa num gesto explosivo de indignação:
— Você está falando sério? Quer trezentos milhões de mim?
— Não posso pedir? Acho que é um valor justo.
— Você acha que merece receber uma quantia dessas?
— Eu sou a Sra. Ferraz agora, reconhecida legalmente como esposa dele. — Explicou Luana com paciência, como se estivesse falando com uma criança. — Mesmo se eu me divorciar do Ricardo amanhã, posso ficar com metade da fortuna dele pela lei. Então pedir apenas trezentos milhões de você é até barato, se parar para pensar bem.
— Você... você é... — Luciana mordeu o lábio com força, tentando conter a raiva que ameaçava explodir, mas logo um sorriso calculista se formou em seus lábios ao pensar em algo. — Então quer dizer que você não ama tanto seu marido assim, não é verdade? Caso contrário, nunca diria essas coisas tão frias sobre ele.
— Amor? — Luana deu uma risada irônica e a encarou com uma expressão entre divertida e cínica. — Você é jovem demais e nunca se casou, não é mesmo? Quando você finalmente se casar com a pessoa errada, vai entender na pele que amor não vale absolutamente nada dentro de um casamento de verdade. Claro que, se você realmente quiser se casar com o Ricardo e acha que consegue conquistá-lo, tenho todo o prazer em apoiar essa iniciativa. Estou doida para sair dessa posição sufocante de Sra. Ferraz e seguir minha vida. Só não sei se você vai conseguir fazer melhor que a Vanessa e ocupar meu lugar mais rápido do que ela tentou.
Assim que Luana terminou de falar aquelas palavras provocativas, a porta do salão privado se abriu de forma abrupta.
Vendo a expressão atordoada de Luciana, que havia empalidecido de repente e olhava para trás dela, Luana sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela se virou devagar e encontrou o rosto frio e impassível de Ricardo parado na entrada, com Fernanda logo atrás dele tentando se fazer invisível.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Muito respeitoso da parte de vcs terminar a história assim ou não dar nenhuma satisfação aos leitores, por dias sem nenhuma atualização nos capítulos....
História finalizou assim ?...
Não tem mais atualização da história?...
A história acabou? Há dias não é atualizada, não sai do cap. 925......
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......