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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 778

Ademir pegou o telefone e levou ao ouvido. Ao reconhecer a voz do outro lado da linha, o seu corpo inteiro enrijeceu.

— Sr. Geovane? Por favor, espere um instante, me deixe explicar a situação...

O interlocutor, no entanto, não estava com paciência para desculpas e encerrou a chamada na mesma hora. O som contínuo de linha muda ecoou no ouvido de Ademir. Ele apertou o aparelho com tanta força que os seus dedos doeram, e uma tontura repentina fez o seu corpo balançar para o lado.

— Senhor Ademir! — O secretário avançou num pulo e segurou o chefe pelo braço, evitando que ele caísse no chão. — O senhor está se sentindo bem?

— Como as coisas chegaram a esse ponto? — Murmurou o empresário, com o olhar perdido no vazio.

Geovane era o investidor principal do projeto Solaris. Sem o apoio financeiro daquele homem, Ademir jamais teria alcançado o prestígio que ostentava na alta sociedade. E agora, com aquele telefonema curto e grosso, ficava claro que o magnata havia cortado todos os laços com a família Lael.

A sequência de desastres foi um golpe duro demais para a saúde do patriarca. Com a cabeça girando e a visão turva, ele precisou ser amparado pelo funcionário até o banco de trás do carro executivo.

Longe dali, no conforto de um apartamento seguro, o clima entre os quatro jovens era de um silêncio cortante. Luana e Ricardo se sentaram em sofás opostos na sala de estar. Nenhum dos dois ousava abrir a boca, criando uma atmosfera densa e desconfortável que parecia sugar o ar do ambiente.

Incomodada com a tensão palpável, Sarah decidiu tomar a iniciativa para quebrar o gelo. Ela pigarreou e forçou um sorriso amigável.

— Bom, eu vou dar um pulo no mercado para comprar algumas coisas. Eu assumo a cozinha hoje à noite. O que vocês estão com vontade de comer?

— Qualquer coisa. — Respondeu Luana.

— Por mim, tanto faz. — Disse Ricardo no mesmo segundo.

Os dois falaram em uníssono. Surpresos com a coincidência, trocaram um olhar rápido, mas logo viraram os rostos para lados opostos, evitando contato visual. Sarah contorceu os lábios em um sorriso amarelo, sem saber onde enfiar a cara.

Percebendo a deixa, Vinícius se levantou da poltrona com um salto.

— Vamos nessa. Eu te acompanho até o mercado.

Sarah piscou, um pouco surpresa com a oferta, mas logo concluiu que ficar no meio daquela briga de casal seria a pior escolha possível. Sair dali com Vinícius era a desculpa perfeita.

— Ah, claro. Vamos lá. — Concordou ela, pegando a bolsa e seguindo o rapaz até a porta.

Assim que a porta bateu, Luana encheu as bochechas de ar e soltou um suspiro longo. Ela espiou Ricardo pelo canto do olho, notando que ele continuava com a cara fechada, encarando o chão. "Eu sei que deixei ele preocupado e que ele tem todo o direito de estar bravo", refletiu ela. "Mas ficar me dando esse gelo já é demais, né? Quer saber? Vou tentar amolecer o coração dele."

Luana esticou o braço e puxou a ponta da camisa dele com delicadeza, como quem pede desculpas. Sem olhar para ela, o rapaz afastou a mão dela com um gesto contido.

— Não adianta tentar me agradar agora. O meu mau humor não vai passar tão cedo. — Resmungou ele, com a voz emburrada.

Luana arregalou os olhos, indignada com a teimosia.

— Ah, então você vai fazer birra mesmo?

— Eu não estou brincando, Luana. — Ricardo virou o corpo na direção dela, exibindo uma expressão severa e sombria. — Nós não estamos no nosso país. Se por um acaso do destino eu não tivesse viajado para Solaris atrás de você, e se o Vinícius tivesse chegado cinco minutos mais tarde... o que teria acontecido? Nós teríamos que reconhecer o seu corpo no necrotério?

Ainda magoada, Luana empurrou as mãos dele de leve e virou de costas, cruzando os braços. Sem hesitar, Ricardo se aproximou e envolveu a cintura dela em um abraço protetor por trás, encostando o queixo no ombro da garota.

— A culpa é minha, Luana. É que o pânico tomou conta de mim. Você não faz ideia do terror que eu senti no caminho. Se eu chegasse tarde demais e encontrasse você machucada... eu perderia a cabeça. Eu enlouqueceria de vez.

— Eu é que devo pedir desculpas. Fui irresponsável e deixei todo mundo em estado de choque. — Murmurou ela, encostando a cabeça no peito dele.

"Se os meus pais descobrirem o que aconteceu hoje, vão ter um ataque do coração.", pensou ela, sentindo um calafrio na espinha.

Ricardo girou o corpo dela com suavidade para que ficassem frente a frente novamente. Ele continuou limpando as lágrimas com carinho, e o clima entre os dois se tornou doce e íntimo. No entanto, no auge do romantismo, ele não conseguiu segurar uma risada provocativa.

— Se você continuar chorando desse jeito, o seu nariz vai começar a escorrer.

Luana arregalou os olhos e passou as costas da mão no nariz às pressas, franzindo a testa logo em seguida.

— Seu idiota, você está me zoando! Não tem nada escorrendo aqui!

O rapaz soltou uma gargalhada gostosa, apertando-a nos braços.

— A culpa não é minha se você acreditou tão fácil.

Irritada com a brincadeira, Luana deu um tapa no ombro dele. O golpe, porém, foi tão fraco e sem jeito que pareceu um pedaço de algodão batendo contra uma parede de concreto, sem causar a menor dor ou incômodo no rapaz.

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