Ricardo franziu levemente o cenho, processando a informação enquanto o carro seguia pelas ruas. — Então, quer dizer que o Carlos é, na verdade, uma mulher?
— Só pode ser isso. Nenhuma mulher em sã consciência tomaria esse tipo de substância se não tivesse um motivo muito específico. — Respondeu Roberto, dando de ombros com um gesto de descaso.
Com atenção à conversa, Luana não conseguiu conter a preocupação e interveio logo em seguida:
— E quais são os efeitos colaterais desse medicamento?
— O grande problema é que essas drogas são proibidas justamente pelo alto grau de dependência que causam. Se alguém usa uma versão forte por muito tempo e tenta parar de repente, sofre crises de abstinência brutais. Além do mal-estar físico, há uma tortura psicológica terrível. É o tipo de remédio que a pessoa leva para o túmulo. Dizem que, em Teolândia, quem faz parte desse grupo específico não costuma viver muito, mas essas doses cavalares podem matar a qualquer momento. — Explicou Roberto, detalhando a gravidade da situação.
Ao ouvir a explicação de Roberto, Luana sentiu um calafrio e soltou o ar pesadamente, enquanto um silêncio desconfortável tomava conta do interior do carro.
Roberto desceu no meio do caminho, deixando o motorista em um dilema sobre o destino final. O homem pigarreou, olhando pelo retrovisor antes de perguntar com hesitação:
— Senhor... Sr. Ricardo, para onde vamos primeiro?
Luana se virou para Ricardo, abrindo a boca para sugerir um destino.
— Vamos para o...
— Baía da Meia Encosta. — Interrompeu Ricardo, antes que ela pudesse terminar.
Os dois falaram quase ao mesmo tempo, mas a palavra "hotel" morreu nos lábios de Luana, cortada pela decisão firme dele. Ela desviou o olhar imediatamente, sentindo o rosto esquentar, e inflou as bochechas num gesto de clara irritação enquanto olhava para a janela.
Ela tinha a intenção de ficar ao lado dele, de oferecer algum apoio, mas pelo visto ele não fazia a menor questão da sua companhia.
Ao chegarem à mansão Baía da Meia Encosta, Luana, ainda remoendo a falta de tato do marido, desceu do carro sem dizer uma única palavra e caminhou apressada, deixando-o para trás.
Ricardo ficou parado, observando as costas dela se afastarem. Suas mãos, apoiadas sobre as coxas, fecharam-se em punhos. Embora o casamento deles ainda estivesse de pé, ele sabia que ela só aceitara a união por obrigação familiar. Agora, ela parecia lutar contra a própria identidade como "Sra. Ferraz", agindo como se quisesse distância dele.
No entanto, ele não conseguia esquecer aquela noite, quando ela se entregou com tanto carinho e desejo.
"Luana, o que exatamente você quer de mim?", pensou ele, soltando um suspiro frustrado.
...
Luana entrou na sala de estar como um furacão. Danilo, que estava sentado no sofá, notou o rosto fechado da filha e o jeito que ela bufava enquanto caminhava em direção à escada. Ele logo imaginou que algo tivesse acontecido na mansão dos Souza com Vinícius.
— Mas o que foi isso? Quem te deixou com essa cara de poucos amigos? — Perguntou Danilo, preocupado.
Luana franziu levemente a testa e perguntou em voz baixa:
— Pai, o senhor não acha que o tio Carlos tem feições muito delicadas, quase como as de uma moça?
Ainda tentando processar a morte de Érica, Danilo foi pego de surpresa pela pergunta aleatória. Ele olhou para Luana de cima a baixo, confuso.
— O Carlos parecer uma moça? Por acaso ele teria como ser uma mulher?
"Pois saiba que é bem provável", pensou Luana, dando um sorriso discreto antes de continuar a sondar:
— É que eu sinto curiosidade sobre a infância dele. Ele vive implicando com a gente, mas nunca tentou nada realmente drástico contra o Vinícius. Parece que existe uma conexão estranha entre os dois, como se tivessem sido grandes amigos no passado.
— Bom, agora que você mencionou... — Danilo assentiu, buscando na memória. — O Carlos era realmente um menino de traços muito finos quando criança. Naquela época, o Vinícius até achava que ele era uma menina e vivia brincando com ele. No ensino fundamental, os dois eram unha e carne, viviam juntos. Mas, assim que entraram no ginásio, o Carlos parou de procurar o Vinícius e eles foram perdendo o contato. Nas festas de fim de ano, o Vinícius ainda tentava falar com ele, mas o Carlos sempre dava um jeito de fugir. Não sei se a mãe dele andou colocando caraminholas na cabeça do garoto, mas o fato é que o Vinícius acabou desistindo de procurar por ele.
Luana começou a montar o quebra-cabeça e finalmente entendeu o que se passava entre os dois.
Se Carlos era de fato uma mulher, o afastamento repentino na adolescência fazia todo o sentido, pois ela precisava esconder as mudanças do corpo e a primeira menstruação. E, para manter essa farsa por tantos anos diante de todos, o único caminho seria recorrer àqueles medicamentos perigosos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...