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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 640

Será que ela ouviu direito?

Embora precisasse de uma desculpa para se aproximar de Valentino, Liliane ainda não tinha um plano concreto. E agora, de repente, a solução perfeita caía em seu colo! Tentando disfarçar o sorriso largo que insistia em aparecer, Liliane adotou uma expressão pensativa.

— Sabe que isso faz sentido? — Comentou ela, sustentando a encenação. — Vou procurar o Valentino mais tarde para conversarmos.

Assim que terminou de falar, Liliane fez menção de ir embora. No entanto, incapaz de conter a euforia que borbulhava no peito, ela se virou de supetão e segurou as mãos da cunhada com um entusiasmo contagiante.

— Luana, a partir de hoje eu te idolatro! — Exclamou ela, com o seu habitual exagero.

Sem esperar por uma resposta, Liliane virou as costas e partiu, cantarolando uma melodia animada, com os passos leves e o coração em festa.

Luana acompanhou a partida dela com o olhar, deixando transparecer um lampejo de surpresa no rosto. Afinal, tinha apenas jogado uma isca para testá-la, e a garota mordeu sem hesitar!

Pensando bem, era compreensível que Liliane se encantasse por alguém tão excepcional quanto Valentino. Ambos tinham qualidades admiráveis e personalidades que se equilibravam na medida certa. Se aquela história de romance engatasse, eles formariam um belo casal.

...

O retorno de Afonso à mansão antiga da família foi marcado pela discrição. Sem banquetes de boas-vindas ou grandes recepções, a rotina da casa permaneceu intocada.

No andar de baixo, Danilo e Soraia aguardavam com grande expectativa, mas logo viram apenas Emanuel descer as escadas.

— Onde está o papai? — Perguntou Soraia, franzindo o cenho de leve.

— Ele foi descansar. Pediu para cancelar o jantar em família e qualquer outra comemoração. — Respondeu Emanuel, com uma voz serena.

Soraia hesitou. Sua intenção inicial era organizar uma pequena refeição íntima para afastar a má sorte que rondava o patriarca da família. Diante daquela recusa, porém, não teve outra escolha a não ser recuar.

— É... pensando bem, toda essa situação não é lá um grande motivo de orgulho. — Murmurou ela, conformada. — Faz sentido pularmos o jantar por enquanto.

Assim que a irmã se retirou, Danilo acompanhou Emanuel até a área externa da propriedade.

— Você se desdobrou nos últimos dias para resolver os problemas do velho, deve estar exausto. — Comentou Danilo, dando um tapinha no ombro do irmão. — Que tal jantar lá em minha casa hoje?

Emanuel recebeu o convite com um sorriso contido, declinando com educação.

— Fica para a próxima. Prometi fazer companhia ao Ângelo no jantar de hoje.

— Você trouxe o garoto de volta? — Indagou Danilo, sem esconder o espanto.

— Sim, mas é apenas por alguns dias.

— Certo, então. Como um bom tio, vou providenciar um presente bacana para ele esta semana. — Concluiu Danilo.

Sem estender a conversa, ele cruzou as mãos nas costas e foi embora a passos largos. Emanuel permaneceu estático no pátio. Ele acompanhou a silhueta do irmão até que ela desaparecesse na escuridão, e só então o sorriso amigável deu lugar a uma expressão fria e indecifrável.

...

A noite já cobria a cidade.

Valentino havia acabado de esquentar uma comida instantânea no micro-ondas quando o som da campainha quebrou o silêncio do apartamento.

Ele caminhou até a porta e a abriu, exibindo a tranquilidade de quem já esperava por aquela visita inoportuna.

— Precisa de alguma coisa? — Perguntou ele, direto ao ponto.

Ele desviou o olhar por um segundo e soltou um suspiro exausto.

— Já deixei claro que desisti de correr atrás da Luana. Você não precisa ficar me vigiando o tempo todo como um cão de guarda.

— O quê? Não é nada dis...

— Muito menos ficar de olho nos meus órgãos internos. — Interrompeu ele, cruzando os braços. — Posso estar falido, mas não cheguei ao ponto de vender meu corpo no mercado clandestino só porque você acha que tenho "um bom coração".

A boca de Liliane se abriu em choque.

"Essa passou perto!" Ela soltou o ar que nem percebia estar prendendo, aliviada por notar que o seu amor platônico continuava em segredo. Ainda assim, era inacreditável o nível de lerdeza daquele homem. Como ele conseguia ser tão desligado para aquelas coisas?

Balançando a cabeça para afastar aqueles pensamentos, ela voltou ao foco da conversa.

— Que papo é esse de órgão? Acha que eu sou criminosa? — Esbravejou ela, indignada. — Só vim perguntar como você consegue sobreviver aqui em Macondo sem o dinheiro da sua família!

Valentino ergueu a mão e bateu o dedo indicador contra a própria cabeça.

— Usando isso aqui.

Liliane sentiu a ofensa bater forte. Com um sorriso amarelo e os dentes trincados, ela rebateu:

— Está me chamando de burra na cara dura, é isso mesmo?

Ele sustentou o olhar furioso da garota com uma calma inabalável.

— Você cresceu cercada de luxos, Liliane. Basta abaixar a cabeça, pedir desculpas para a sua família e toda essa fase difícil acaba. Por que insistir em dificultar a própria vida?

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