Assim que terminou de falar, Vinícius se levantou com calma e começou a recolher a linha da sua vara de pescar. Na ponta do anzol, debatia-se um peixe minúsculo, que não dava nem o tamanho da palma da sua mão. Com cuidado, ele soltou o animal e o devolveu às águas tranquilas do lago.
— Então me responde direito, cara. Eu só quero saber quem é o sujeito que casou com a sua irmã! — Insistiu Sérgio, com os olhos cravados no amigo.
A curiosidade o consumia por dentro, deixando claro que não arredaria pé dali enquanto não arrancasse uma resposta satisfatória.
Vinícius voltou a encarar a boia que oscilava na superfície da água, batendo os dedos no cabo da vara num ritmo preguiçoso. Ele abriu a boca, pronto para matar a curiosidade do amigo, mas o toque estridente do celular cortou o silêncio do campo.
Sérgio estalou a língua no céu da boca, frustrado por ter a fofoca interrompida, e observou o outro se afastar para atender a ligação.
Os dias passaram voando após aquele fim de semana na fazenda.
Luana acompanhou Sarah até o alojamento estudantil para ajudá-la a empacotar as suas coisas. Quando o trabalho já estava quase no fim, Amy abriu a porta do quarto. A garota paralisou ao ver a cama da colega completamente vazia e as malas enfileiradas no chão.
— Você... você está indo embora? — Perguntou Amy, sem conseguir esconder o choque na voz.
— Estou. — Respondeu Sarah, com uma firmeza que não deixava margem para dúvidas.
Luana virou o rosto para encarar a recém-chegada. Havia algo de familiar naquelas feições, o que a fez estreitar os olhos e analisar a garota com mais atenção.
Enquanto Sarah e Amy trocavam algumas palavras protocolares, a memória de Luana deu um estalo. Ela se lembrou de ter visto aquele rosto num restaurante dias atrás, acompanhada de outras pessoas que falavam mal de alguém.
"Então a garota de quem elas estavam rindo e fofocando aquele dia era a Sarah.", concluiu ela em pensamento, sentindo uma pontada de repulsa.
Por conta disso, quando Amy tentou ser simpática e a cumprimentou, Luana se limitou a acenar com a cabeça, mantendo uma postura fria e distante.
Minutos depois, o carro de aplicativo que haviam chamado estacionou em frente ao prédio. As duas desceram carregando a bagagem e acomodaram tudo no porta-malas.
— Aquela era a sua colega de quarto? — Indagou Luana, batendo a poeira das mãos.
— Era sim. Por que a pergunta? — Sarah ajeitou a alça da bolsa no ombro, curiosa com o tom da amiga.
Luana pensou duas vezes antes de responder. Preferiu guardar para si as fofocas maldosas que ouvira no restaurante, achando que a pintora já tinha problemas demais para lidar.
— Não é nada de mais. Eu só tive a impressão de que ela não é o tipo de pessoa em quem se pode confiar de olhos fechados.
Sarah foi pega de surpresa pela franqueza, mas não discordou. No fundo, a relação entre ela e Amy nunca havia passado de uma convivência forçada por dividirem o mesmo teto.
— Se vocês colaborarem e ficarem quietinhas, ninguém sai machucado. — Anunciou o homem no banco do carona, com um sorriso cínico.
Sem outra alternativa, Luana e Sarah ergueram as mãos em sinal de rendição. Os sequestradores exigiram apenas os celulares, ignorando as bolsas, carteiras e cartões de crédito. O objetivo ali não era assalto, mas sim levá-las para um destino desconhecido.
As duas trocaram um olhar carregado de pânico. Tomando coragem, Luana arriscou uma pergunta:
— Quem foi que pagou vocês para fazerem isso?
— A curiosidade matou o gato, moça. Fica na sua. — Cortou o bandido, encerrando qualquer chance de diálogo.
Luana puxou o ar com força, tentando controlar a respiração acelerada. Elas estavam encurraladas, presas no banco de trás de um carro que seguia para um lugar que não faziam ideia de qual era. Faltando alguns minutos para chegarem, os homens jogaram duas vendas pretas para trás e ordenaram que elas cobrissem os olhos.
A escuridão total aumentou o desespero. O trajeto se tornou irregular, com o carro balançando em buracos e estradas de terra. Luana tentava focar nos solavancos e nas curvas, num esforço inútil para mapear o caminho na sua mente. Quando o veículo finalmente parou, as portas foram abertas e mãos rudes as puxaram para fora.
Assim que as vendas foram arrancadas, a claridade ofuscou a visão de ambas. Elas piscaram várias vezes até que o cenário ao redor ganhasse foco.
O lugar era assustador. Tratava-se de um túnel abandonado e escuro, com as paredes de concreto tomadas por pichações e grafites. O som ensurdecedor de motores ecoava pelo espaço, vindo de jovens tatuados que empinavam motocicletas em manobras perigosas. Nos cantos mais sombrios, pessoas em estado deplorável consumiam drogas pesadas, incluindo algumas mulheres com os olhos perdidos no vazio. O ar cheirava a fumaça, gasolina e desespero. Era a visão do próprio inferno.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...
São quantos capítulos?...
Kd o capítulo 520???...