O sol da manhã refletia nas vidraças do imponente Centro de Convenções quando Ricardo atravessou as portas principais.
Ele caminhava ao lado de um grupo de executivos após o encerramento da cúpula do setor. O porte físico invejável o colocava em posição de destaque, um passo à frente dos demais, ditando o ritmo da caminhada rumo ao estacionamento. Entre os dedos, ele girava um cigarro apagado, cortesia oferecida por um parceiro de negócios há poucos minutos.
A conversa sobre cronogramas e futuras alianças não parecia capturar sua atenção. Ele apenas ouvia a tagarelice ao seu redor com uma polidez distante, ostentando aquela sua habitual frieza no olhar.
A meio passo de distância, Fernanda acompanhava o trajeto. Ela intervinha na conversa com comentários precisos e um sorriso cortês, garantindo a posição de prestígio do Grupo Ferraz nas negociações e reforçando sua própria excelência profissional.
Ao chegarem aos veículos, o restante dos diretores se despediu com apertos de mão calorosos, seguindo caminhos distintos.
Sem cerimônia, Ricardo entregou o cigarro intacto para Fernanda descartar e seguiu a passos firmes até seu carro. O movimento de destravar a porta sofreu uma pausa abrupta no instante em que seus olhos captaram um risco superficial, porém visível, na lataria escura.
Um vinco de desagrado se formou em sua testa. A mão já buscava o celular no bolso do paletó para acionar o seguro, quando uma voz feminina chamou sua atenção bem ao lado.
— Com licença, o senhor é o dono deste carro? — A pergunta soou carregada de apreensão.
Ricardo virou o rosto para responder. No exato instante em que focou as feições da desconhecida, seus dedos congelaram sobre o aparelho. O impacto visual durou apenas uma fração de segundo. Logo em seguida, ele recuperou a compostura impecável, desviando o foco da mulher para a lataria arranhada.
— Sou eu. — Respondeu ele, com a voz desprovida de emoção.
— Mil desculpas por isso. Fui manobrar e acabei esbarrando sem querer. O senhor pode dizer o valor do conserto que faço o pagamento agora mesmo. — Naiara apertava a alça da bolsa com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. A postura rígida deixava evidente o quanto a situação a intimidava.
Em silêncio, Ricardo abriu o aplicativo do banco e gerou um código PIX na tela.
— Vinte mil reais. Nada a mais, nada a menos.
A mulher piscou, surpresa com a objetividade calculada do valor, mas concordou com um aceno rápido.
— Tudo bem, vou escanear o código.
Assim que a notificação de transferência confirmada brilhou na tela, Ricardo guardou o aparelho, puxou a maçaneta e se acomodou no banco de couro do motorista.
— Por favor, espere um instante! — Exclamou Naiara, com um tom de urgência na voz.
A ação de fechar a porta parou pela metade. Ricardo ergueu os olhos, encarando-a com uma ponta de impaciência.
— Mais alguma coisa?
— Eu pensei que... talvez pudéssemos trocar contatos. Caso o valor do reparo passe do combinado, o senhor me avisa e nós resolvemos. — O sorriso forçado que ela tentava manter nos lábios tremia, assim como as mãos segurando o celular contra o peito.
O olhar analítico de Ricardo varreu o rosto dela de forma silenciosa. Em vez de pegar o próprio telefone, ele esticou o braço até o porta-luvas do console central, retirou um cartão de visitas de Fernanda e estendeu na direção da janela.
— Se houver alguma necessidade, entre em contato com a minha secretária. Tenha um bom dia.
A simpatia ensaiada de Naiara desmoronou, dando lugar a um semblante frustrado ao segurar o pequeno pedaço de papel. O vidro escuro subiu na mesma hora, separando-os de vez antes que o motor roncasse e o carro de luxo sumisse pelo asfalto.
— Aham. Escritório. — Luiz forçou uma expressão de muita pressa, enfiando a mão nos bolsos em busca das chaves do carro, e passou de cabeça baixa.
"Quanto menos papo com esse cara, melhor. Que se dane o que ele veio fazer aqui!", resmungou Luiz em pensamento, acelerando o passo rumo à calçada.
Observando a fuga atrapalhada do rapaz, Ricardo balançou a cabeça com um sorriso contido e retomou a caminhada até a varanda. Apertou a campainha.
O silêncio reinou por alguns segundos até que a voz desconfiada de Luana vazou pela porta de madeira.
— Quem está aí fora?
O questionamento deixou claro que, dessa vez, ela tinha aprendido a não abrir a porta para estranhos.
— Sou eu.
O barulho da fechadura girando anunciou a abertura, mas a porta cedeu apenas o suficiente para que ela espiasse pela fresta.
— O que você veio fazer aqui de novo? Está sobrando tempo na sua agenda por acaso? — O tom dela carregava aquela resistência rebelde e típica.
Luana estava com os fios um tanto desgrenhados e o rosto limpo de qualquer maquiagem. Uma imagem caseira e livre da preocupação em se arrumar para agradar os outros. Ainda assim, aos olhos dele, havia um charme devastador naquela simplicidade espontânea.
Como em um estalo, a memória de Ricardo o transportou de volta ao estacionamento, relembrando a mulher do esbarrão. Aquela desconhecida chegava a ter uns trinta por cento de semelhança nos traços físicos. Mas parava por aí. No final das contas, qualquer imitação pálida perdia o valor quando comparada à obra-prima que ele tinha o privilégio de admirar bem ali à sua frente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...