Luiz ficou em silêncio, de cabeça baixa, mergulhado em seus próprios pensamentos.
— Ah, quase me esqueci. Vou ao cemitério acender uma vela para os nossos pais e levar algumas flores. — Comentou Luana, ajeitando a alça da bolsa no ombro. — Fique aí e termine de aperfeiçoar a sua massa caseira.
Enquanto a observava caminhar em direção à porta, ele ergueu os olhos e perguntou com um tom de preocupação:
— Tem certeza de que não quer companhia?
Ela apenas acenou com a mão em despedida e saiu, batendo a porta atrás de si.
...
Sebastião dirigia com extrema cautela rumo ao cemitério onde Douglas e Agatha descansavam. O inverno rigoroso havia coberto as ruas com uma espessa camada de neve, deixando a pista escorregadia e perigosa. Através da janela do carro, o mundo parecia desbotado, resumido a uma paleta cinzenta onde os galhos nus das árvores não exibiam o menor traço de vida. O olhar de Luana recaiu sobre os crisântemos brancos e a vela que repousavam no banco ao seu lado, fazendo com que uma onda de emoções amargas e difíceis de explicar apertasse o seu peito.
O carro avançava sem pressa, esmagando o gelo sujo da estrada sinuosa até finalmente alcançar os portões de ferro. Assim que Sebastião estacionou, Luana desceu carregando as flores e as homenagens que havia preparado, caminhando em silêncio pelos longos corredores de pedra do cemitério.
Ao encontrar a lápide conjunta, ela parou. Encarar os rostos pacíficos naquelas antigas fotografias em preto e branco fez com que sentisse como se uma vida inteira houvesse passado desde a última vez que estiveram juntos. Agachando-se, Luana limpou a neve e a sujeira que cobriam o mármore frio. Em seguida, arrumou os crisântemos com carinho e usou o isqueiro para acender a vela sobre a pedra.
— Pai, mãe... vim visitar vocês. — Murmurou ela, com a voz embargada pelo frio e pela saudade. — Eu finalmente encontrei a minha família biológica, mas nunca vou esquecer tudo o que fizeram por mim. Podem descansar em paz, viu? O Luiz está ótimo. Ele cresceu, se tornou um rapaz brilhante e muito esforçado. Prometo que vou cuidar dele de perto, pelo menos até ele casar e ter uma carreira sólida. Acho que essa é a minha forma de retribuir um pouco de todo o amor que me deram.
Em um gesto de profundo respeito, ela fez o sinal da cruz, juntou as mãos em uma breve prece e acomodou a base da vela na sepultura.
O silêncio do cemitério era quase palpável. A pequena chama dançava no ar gelado em frente ao túmulo, e, através da fumaça fina, Douglas e Agatha pareciam olhar para a filha adotiva rompendo a barreira do tempo, oferecendo a ela o mais terno e mudo dos confortos.
Foi então que o som de passos quebrando a neve chamou a sua atenção. Luana olhou por cima do ombro e viu Ricardo. Ele se aproximava a passos lentos, abrigando-se sob um elegante guarda-chuva preto.
Ela se levantou, batendo as mãos no casaco para tirar a umidade.
— Como você sabia que eu estava aqui? — Perguntou ela, pega de surpresa.
Ele parou a poucos passos de distância e desviou o olhar para o túmulo.
— O Sebastião me avisou sobre a sua vinda, então não foi muito difícil adivinhar.
Ele travou os passos no meio do caminho, deixando que ela ganhasse distância. Percebendo que o marido havia ficado para trás, Luana se virou para encará-lo.
— Ricardo, sei que esse divórcio é inevitável agora. Também entendo muito bem a situação delicada em que você se encontra. Mas pode ficar tranquilo, não serei um peso na sua vida e não vou atrapalhar os seus planos.
Ela caminhou de volta na direção dele e, olhando no fundo dos seus olhos, continuou:
— Só te peço que não se machuque mais. Não seja imprudente, não arrisque a sua segurança como fez um ano atrás. E, por favor, não...
As palavras morreram em sua garganta, silenciadas pelos lábios do homem que a tomaram em um beijo urgente e desesperado.
Com uma das mãos acariciando o rosto dela com ternura, ele se entregou àquele contato. Aquele toque não era um simples beijo, mas uma confissão silenciosa que dizia tudo. Havia ali uma saudade antecipada insuportável e um amor imenso que ele não conseguia mais conter.
Quando finalmente se afastaram em busca de ar, Ricardo manteve os olhos fixos nas feições delicadas da mulher que amava.
— Eu prometo. — Sussurrou ele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...