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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 814

Em questão de poucos dias, Liliane conseguiu conquistar boa parte da equipe, quebrando o gelo inicial. O carisma não se limitou aos operários do chão de fábrica, já que muitos supervisores e gerentes também foram alvo da sua simpatia implacável.

Era um festival de lanches na faixa e lembrancinhas distribuídas para todos os lados. Mesmo aqueles que antes torciam o nariz acabaram aceitando os agrados, pois fica muito difícil falar mal de alguém quando se está recebendo favores contínuos.

No entanto, toda aquela movimentação extravagante acabou chamando a atenção de pessoas perigosas que observavam tudo das sombras.

— Afinal de contas, de onde surgiu essa tal de Liliane que a Sinar Medical jogou para cá?

O eco da voz grave soou por uma casa de banhos mal iluminada. Um homem de meia-idade relaxava imerso na água quente do ofurô, de costas para um biombo decorativo tradicional. À beira da piscina, duas figuras aguardavam de pé e em silêncio.

Quem havia falado era o homem com aparência mais encorpada, na mesma faixa etária do sujeito na água. Encolhendo os ombros em uma postura submissa, ele prestou contas:

— O pessoal da diretoria não deu detalhes. Disseram apenas que mandariam alguém para ocupar a vaga. Pelo jeito que a garota gasta e age, deve ser alguma parente de acionista brincando de conhecer a vida de trabalhador...

— Conhecer a vida de trabalhador? — O homem na água pegou uma vasilha de madeira, derramando o líquido sobre os ombros com uma expressão de puro deboche. — Bem no meio do nosso esquema? Será que essa gente cansou de viver e quer arrumar problema?

O homem mais gordo gaguejou, perdendo as palavras por um instante perante o tom ameaçador do chefe.

— É que...

— A polícia continua farejando o caso dos lotes adulterados, e é óbvio que o Ricardo também está cavando informações por conta própria. Precisamos limpar a nossa barra o mais rápido possível e não podemos deixar nenhum rastro para trás.

— O senhor tem toda razão. — Concordou o subordinado, suando frio. — Diretor Túlio, quer que eu faça uma investigação mais a fundo sobre ela?

— Deixe isso com a minha afilhada. — Túlio ergueu o olhar cortante em direção à mulher de cabelos curtos que permanecia quieta no fundo da sala. — Isadora, aproxime-se dessa novata e descubra quem ela é de verdade. Você precisa ganhar a confiança da garota a qualquer custo.

Dando um passo à frente, a mulher revelou seus traços frios sob a luz amarelada das arandelas. Era Isadora em carne e osso. Sem demonstrar qualquer emoção, ela apenas acenou com a cabeça para o padrinho.

— Entendido.

...

Enquanto isso, no restaurante aconchegante que ficava no andar térreo do ateliê, Luana se encontrava com Valentino para um café da tarde.

— O professor Gustavo deve ter comentado com você que eu fui procurar ele dias atrás, certo? — Perguntou ela, iniciando o assunto principal.

Tomando um gole do café, Valentino pousou a xícara de porcelana na mesa e encarou a mulher com um sorriso tranquilo nos lábios.

— Ele comentou sobre o projeto. Se você estiver precisando de braços para ajudar na equipe médica, conte com o meu apoio total.

O devaneio foi quebrado pelo toque insistente do celular em seu bolso. Ele atendeu a chamada, escutou a proposta longa do outro lado da linha e, após ponderar por alguns minutos em silêncio, deu uma resposta positiva.

Na manhã seguinte.

Liliane chegou à fábrica a todo vapor, com o crachá em mãos. Assim que bateu o ponto na pressa para não se atrasar, acabou trombando com tudo em alguém ao virar o corredor perto dos elevadores.

Uma chuva de pastas e documentos confidenciais se espalhou pelo chão encerado.

Desesperada com a confusão, Liliane se agachou na mesma hora para recolher a papelada.

— Mil desculpas! Eu pego tudo para você, foi sem querer!

— Não tem problema nenhum. — Respondeu Isadora, de forma pacífica, ajoelhando-se para ajudar a organizar a bagunça.

Quando terminaram de juntar os papéis e se levantaram, Liliane entregou os documentos e finalmente prestou atenção no rosto da funcionária à sua frente.

— Você é nova por aqui? Eu tenho quase certeza de que nunca te vi.

"Será que deixei alguém passar batido durante as entregas de presentes?", pensou Liliane consigo mesma, intrigada com o rosto desconhecido.

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