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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 830

Poucos dias após o lançamento dos medicamentos, um usuário que se identificou como familiar de um paciente com câncer publicou um longo desabafo na internet sobre um chamado "remédio milagroso". O texto transbordava de elogios e recomendações fervorosas a favor daquela nova fórmula que acabara de chegar ao mercado.

Não demorou quase nada para a seção de comentários ser inundada por uma multidão de internautas em um debate acalorado. Enquanto uma parte questionava a veracidade da história e tentava desmascarar a suposta farsa, a outra defendia a eficácia do produto com unhas e dentes, gerando um verdadeiro caos online.

No ápice daquela briga virtual interminável, supostos especialistas na área da saúde surgiram com relatos detalhados, direcionando todas as críticas e suspeitas direto para o medicamento específico desenvolvido pelo Grupo Sinar Medical.

Em questão de vinte e quatro horas, o escândalo do "remédio milagroso" colocou a Sinar Medical nos assuntos mais comentados das redes sociais. Uma enxurrada de curiosos e internautas furiosos invadiu a página oficial da empresa, lotando a caixa de mensagens e os comentários com perguntas e exigências de esclarecimentos urgentes.

Todo esse alvoroço tomou proporções tão colossais que a notícia logo chegou aos ouvidos de Túlio. A tensão foi tanta que o empresário mal conseguia se manter sentado na própria cadeira.

— Me dê isso aqui! Deixa eu ler essa publicação agora! — Exigiu ele, a voz carregada de desespero.

Isadora entregou o celular nas mãos dele sem pestanejar. Túlio deslizou a tela com impaciência, observando que o texto já ultrapassava a marca de centenas de milhares de visualizações, somava mais de dez mil comentários e os números continuavam a subir sem parar.

Ao contrário do que se esperaria, a onda de avaliações positivas não trouxe nenhum alívio para Túlio. Longe de sorrir, seu rosto assumiu uma expressão sombria e aterrorizante. Ele sabia que aqueles medicamentos não haviam passado por nenhum processo de aprovação oficial. Não chegavam nem perto de serem remédios genéricos autênticos, operando apenas sob uma faixada para enganar os consumidores e lucrar em cima do desespero alheio.

Ninguém conhecia a verdadeira natureza do efeito analgésico daquela fórmula melhor do que ele. Se aquela história tomasse proporções maiores e as autoridades decidissem investigar a fundo, as consequências seriam um verdadeiro pesadelo para todos os envolvidos.

— Não quero saber como você vai fazer isso, mas abafe essas notícias agora mesmo! Dê um jeito de apagar tudo!

— Mas... — Isadora tentou ponderar, nervosa.

— Não tem mas nem meio mas! — Túlio fechou a cara e marchou até Isadora, parando a poucos centímetros de distância dela. — Se você não tem capacidade de resolver esse problema, temos outras pessoas que podem dar um jeito nisso, não acha? Aposto que a pessoa certa faria esse favor de bom grado.

Ambos sabiam muito bem quem era a pessoa a quem ele se referia. Isadora engoliu as próprias palavras, o gosto amargo da humilhação na boca, e se manteve em silêncio. Sem um pingo de paciência para continuar a discussão, Túlio a enxotou do escritório com um gesto brusco.

Ao pisar no corredor, o rosto de Isadora estava pálido e retorcido de frustração. Ela sacou o próprio celular e releu a publicação polêmica. A intuição lhe dizia que aquele texto havia surgido cedo demais para ser uma obra do acaso. Tudo soava como uma armação calculada nos mínimos detalhes.

O problema é que não havia uma única prova para sustentar essa teoria, restando-lhe apenas conviver com as próprias paranoias e o medo da ruína.

Do outro lado da empresa, Liliane vivia em uma bolha de ignorância quanto ao caos na internet. Sua única preocupação era contar os dias e as horas para que sua missão secreta chegasse ao fim.

Enquanto caminhava na direção da sala de descanso para pegar um café, acabou captando fragmentos de uma conversa sussurrada entre dois colegas de trabalho.

— Fui dar uma sondada no pessoal do departamento de pesquisa, e eles não fazem a menor ideia de onde surgiu esse lote de remédios. Dá para acreditar na audácia de uma coisa dessas? A gente mal saiu de um escândalo de falsificação de medicamentos e já tem gente cometendo o mesmo crime na cara dura e desafiando o perigo!

— O que mais me assusta é que o pessoal da auditoria não solta um pio sobre o assunto. Tenho um pressentimento muito forte de que tem peixe grande querendo destruir a nossa empresa de vez. — Retrucou o outro, em um tom de voz assustado.

Fernanda deixou escapar um sorriso contido do outro lado da linha.

— O que está acontecendo agora não passa de um pequeno detalhe da operação. O verdadeiro espetáculo ainda está por vir. O senhor Ricardo preferiu manter você no escuro sobre o plano inteiro justamente para o seu próprio bem, para evitar que o nervosismo a denunciasse.

Liliane fez um bico de indignação, revirando os olhos para a parede manchada da escadaria.

— Engraçado que, na hora de implorar pela minha ajuda no teatrinho de vocês, ninguém veio com esse papo de que era para o meu próprio bem. Esses homens são todos iguais, cheios de segredinhos!

Assim que encerrou a ligação e guardou o aparelho, ela ergueu a cabeça e sentiu o corpo inteiro congelar no lugar. O sangue sumiu de seu rosto. Isadora estava parada bem ali, no alto do lance de escadas. Pela postura rígida da mulher, ficava claro que ela já estava plantada naquele lugar, ouvindo a conversa alheia havia um bom tempo.

O estômago de Liliane despencou. Sem ter para onde fugir e tentando ignorar o pavor de ter sido descoberta, ela engoliu o desespero, forçou um sorriso amarelo e tentou agir com a maior naturalidade possível.

— Oi! Que coincidência enorme encontrar você por aqui, Isadora!

— É... — Murmurou Isadora, desviando o olhar para o chão de cimento, sem saber direito como reagir àquela cena constrangedora. No entanto, no fundo de sua mente, as peças do quebra-cabeça já começavam a se encaixar, levantando sérias suspeitas sobre a índole da colega.

— Eu estava no telefone com um amigo meu agorinha mesmo! — Lilian se apressou e em inventar uma desculpa qualquer, disparando a falar na tentativa de salvar a própria pele. — A família dele está fazendo uma pressão absurda para ele casar logo, então ele me pediu para fingir ser a namorada dele num teatrinho de mentira! Juro que nem sei se deveria aceitar me meter numa loucura dessas!

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