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A noiva rejeitada romance Capítulo 280

Abri os olhos de repente, o coração ainda disparado. O som seco do tiro continuava ecoando em meus ouvidos, e a primeira coisa que vi foi o buraco na parede, a apenas alguns centímetros da minha cabeça. A bala havia atingido aquele ponto tão perto que eu conseguia sentir o cheiro da pólvora misturado ao pó do reboco.

Um arrepio percorreu meu corpo. Aquele idiota estava falando sério. Se não tivesse uma pontaria tão boa, eu estaria morta. Engoli em seco, agradecendo a Deus por aquela mínima faísca de sorte.

Lentamente, virei o rosto para Liam. Ele me observava com uma sobrancelha arqueada, os olhos ardendo de fúria contida.

— Isto é para que você entenda de uma vez por todas — sua voz era grave, cortante, um veneno que se infiltrava diretamente em meu peito. — Comigo não se brinca. Se voltar a me irritar… não vou errar. Eu juro.

Um silêncio pesado caiu sobre o quarto. A arma continuava em sua mão, como uma sombra que pairava sobre todos os presentes. Então, com um movimento brusco, desviou o olhar para Fabián.

— O que está esperando? — ordenou, com um tom que não deixava espaço para dúvidas. — Pegue esta mulher. Vamos voltar para a mansão. Agora.

Fabián hesitou por apenas um segundo.

— Mas, senhor… o senhor ainda não está se sentindo bem. Tem certeza de que devemos voltar?

Liam o fulminou com um único olhar. Aquela expressão foi suficiente para apagar qualquer objeção; era o tipo de olhar que não precisava ser repetido.

— Sim, senhor — respondeu Fabián imediatamente, abaixando a cabeça.

Em seguida, caminhou até mim. Sua mão forte se fechou ao redor do meu braço e, embora eu tentasse resistir, sua força era muito superior à minha.

— Senhorita, colabore, por favor — murmurou em um tom mais baixo, quase como um pedido.

Eu não tive outra escolha senão obedecer. Meu corpo ficou tenso, minha mente gritava, mas meus pés se moveram sem resistência.

A culpa me atingiu de repente como um martelo no peito. Tudo era culpa minha. Eu não deveria tê-lo salvado. Nunca. O certo teria sido deixá-lo morrer, arrancar o colar e fugir. Agora, presa novamente em suas redes, eu compreendia que havia selado meu próprio destino.

Fui levada à força para fora do hotel, segurada pelo braço como se fosse uma criminosa. O ar fresco da noite atingiu meu rosto, mas não me trouxe alívio. Fabián não me soltou em nenhum momento, conduzindo-me com passos firmes até um dos carros pretos estacionados na entrada.

Ele me empurrou suavemente para dentro, e a porta se fechou com um estrondo metálico. Segundos depois, o motor rugiu e o veículo partiu em direção à mansão.

Durante o trajeto, minha mente não parava de dar voltas. Por que diabos eu o havia salvado? Aquele homem deveria estar me agradecendo, não me arrastando de volta para sua maldita gaiola dourada.

O caminho pareceu interminável. Do lado de fora, as luzes da cidade desapareceram pouco a pouco, até que a paisagem se tornou sombria, cercada apenas por árvores e escuridão. Finalmente, os altos muros da mansão surgiram diante dos meus olhos, tão imponentes e sufocantes quanto sempre.

Ao chegar, não houve palavras nem explicações. Simplesmente me tiraram do carro e me levaram diretamente para o segundo andar. Meus pés mal conseguiam acompanhar o passo apressado de Fabián, mas ele não diminuiu a velocidade nem por um instante. Eu sentia que cada degrau era uma sentença que me empurrava ainda mais fundo para o inferno.

Fui introduzida em um quarto amplo, com móveis elegantes e janelas cobertas por cortinas grossas e, em questão de segundos, ouvi o clique metálico da fechadura.

Eu estava trancada.

— Merda! — gritei, batendo na porta com as duas mãos. — Abram, droga!

O eco da minha voz ricocheteou pelas paredes, mas não houve resposta.

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