POV: Terceira pessoa
Liam fixou o olhar no homem que não parava de observar sua noiva. Seus ombros ficaram tensos e, com a voz firme e carregada de autoridade, rompeu o silêncio:
—Posso saber o que vê na minha noiva, senhor Hermant?
O comedor ficou em silêncio em um instante, como se todos tivessem prendido a respiração. Aslin e Carttal trocaram um rápido olhar, silencioso, mas carregado de significado: a pergunta do filho havia mudado completamente a dinâmica da sala.
O senhor Hermant não desviou o olhar de Cecilia nem por um instante. Sua postura permanecia inalterável, e sua expressão continuava calma e calculista. Finalmente, falou em um tom controlado, fazendo com que cada palavra caísse pesadamente no ar:
—Nada… apenas acho que sua noiva me parece conhecida, senhor Azacel.
Cecilia sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A intensidade com que ele a observava era quase insuportável. Baixou ligeiramente o olhar, tentando recuperar a compostura, enquanto seu coração batia acelerado.
Liam não se moveu. Não piscou. Seus olhos procuravam qualquer indício de ameaça ou segredo naquele homem, mas não encontrou nada além de uma calma contida. A tensão à mesa era palpável, e cada respiração parecia ecoar pela sala.
Aslin e Carttal permaneceram imóveis, observando a cena. Seus olhos se encontraram mais uma vez, transmitindo sem palavras a certeza de que algo importante acabara de despertar. Aquele breve confronto entre Liam e Hermant havia aberto uma porta que todos sentiam, embora nenhum deles soubesse ainda para onde ela os levaria.
O jantar transcorreu em um silêncio tenso. Cada prato servido parecia pesar mais do que o anterior. Cecilia permanecia ao lado de Liam e Hermant, com a mente ainda dividida entre a conversa tensa no comedor e o olhar que Hermant não havia tirado dela durante toda a noite.
Quando os últimos pratos foram retirados e a conversa sobre negócios começou a se acalmar, Hermant inclinou ligeiramente a cabeça na direção de Liam, com uma expressão que pedia permissão sem precisar de palavras. Finalmente, falou:
—Se não for muita inconveniência… gostaria de conversar em particular com sua noiva.
Liam franziu a testa imediatamente. Não era como se realmente se importasse com Cecilia, mas havia limites que, mesmo sendo apenas uma farsa, deveriam ser respeitados. Afinal, diante dos outros, ela era sua noiva e em breve seria sua esposa.
Cecilia percebeu a leve tensão de Liam, mas também sentiu que aquela era a oportunidade que tanto esperava. Havia algo na voz de Hermant que a fazia pensar que ele tinha algo importante para lhe dizer, algo que não podia esperar. Com determinação, virou-se para Liam e, com um gesto firme, pediu:
—Deixe-me, por favor. Quero conversar com ele a sós.
Liam a observou por alguns instantes, avaliando a situação. Sua testa continuou franzida, mas, finalmente, assentiu com um leve movimento de cabeça.
Sem dizer mais nada, levantou-se e saiu da sala acompanhado de seus pais, deixando Cecilia e Hermant frente a frente. A distância entre eles agora era de apenas alguns passos, e o silêncio que ficou entre os dois estava carregado de intensidade. Cecilia respirou fundo, consciente de que, naquele momento, começaria algo que poderia mudar tudo o que ela acreditava saber sobre aquele homem e sobre si mesma.
Germán permaneceu imóvel por alguns segundos, como se estivesse escolhendo cuidadosamente as palavras, enquanto Cecilia o observava atentamente, com o coração batendo mais rápido do que o normal. O comedor vazio parecia amplificar cada gesto, cada respiração, cada olhar trocado entre eles.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A noiva rejeitada