— Irmão... eu não queria que as coisas chegassem a esse ponto — começou ela, a voz falhando. — Aquela mulher... ela me provocou! Ela sabia exatamente quais botões apertar. Eu só queria dar um susto nela, juro! Eu não planejei que o acidente fosse tão grave.
Berta tentou intervir, aproximando-se da filha com as mãos estendidas:
— Hortência, querida, não diga bobagens, você estava fora de si, não sabia o que estava fazendo...
— Deixe-a falar, mãe — interrompeu Alessandro, sua voz soando como um chicote de gelo que cortou o ar.
Hortência soluçou, as lágrimas agora escorrendo sem controle, borrando a imagem de "vítima" que ela tentara construir:
— O dinheiro que sumiu da conta da empresa... eu usei para pagar aquele homem. Ele prometeu que cuidaria de tudo e que ninguém saberia que fomos nós. Mas agora a polícia tem as imagens do café, e eles sabem que eu o encontrei. Se eu for presa, Alessandro, eu não vou aguentar! Aqueles lençóis manchados de sangue... eu fiz por medo! Achei que, se você visse o quanto eu estava sofrendo, você daria um jeito de apagar os registros e me salvar.
Alessandro fechou os olhos por um breve segundo, sentindo o peso esmagador da decepção. Não era apenas um erro juvenil ou um temperamento mimado; era um crime premeditado e uma tentativa cruel de manipulação emocional, usando a própria vida como moeda de troca.
Ele deu um passo à frente, e até Berta recuou diante da aura sombria que o envolvia.
— Você desviou fundos da família para contratar um criminoso? — perguntou ele, em um sussurro perigoso que era muito pior do que um grito. — E depois montou este espetáculo de "suicídio" para que eu limpasse a sua sujeira?

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