Essa foi a primeira vez que Alessandro se sentiu tão humilhado em público.
— Essas coisas não são minhas! — explicou ele rapidamente, ao notar os olhares perplexos e os sorrisos contidos ao seu redor. — Fui enganado por um pirralho. Ele roubou minha carteira e meu celular, e agora que os recuperei, me deparo com isso.
Alessandro nunca precisou dar explicações a ninguém em toda a sua vida, mas ali, sob o julgamento silencioso do público, sentiu que seu caráter estava sendo testado. Ele precisava se justificar.
O assistente, ao seu lado, sentia o rosto arder. Ele ainda segurava um daqueles objetos coloridos que havia pegado do chão; era uma situação mortificante. Pela primeira vez, ele se sentiu genuinamente envergonhado de estar ao lado do grande Presidente Alessandro. Ele olhava para as pessoas como se pedisse: “Por favor, não pensem que o Sr. Alessandro compartilha desses hobbies peculiares!”
O rosto de Alessandro estava sombrio. Uma aura gélida emanava de seu corpo, fazendo com que a temperatura no restaurante parecesse cair para níveis árticos. Seus olhos penetrantes de fênix percorreram o salão, e todos desviaram o olhar imediatamente. Ninguém ousava encarar o homem que era conhecido por guardar rancores profundos. Se você o ofendesse hoje, seu futuro certamente seria difícil.
Até o assistente mantinha a cabeça baixa. No fundo, ele sentia uma ponta de admiração pela coragem daquela criança. Aquele pirralho deve ter um desejo de morte, pensou o assistente. Não sabe o que é bom para ele, ousando brincar com o Sr. Alessandro.
O clima na mesa de jantar era de puro constrangimento. Foi o gerente geral, o Sr. Gerard, quem finalmente quebrou o gelo:
— Provavelmente foi apenas um mal-entendido. Crianças adoram pregar peças, certamente não foi intencional. Bem, vamos continuar com o nosso jantar.
Graças à intervenção de Gerard, os curiosos finalmente pararam de encarar. No entanto, a expressão de Alessandro continuava terrível, como se o mundo inteiro lhe devesse uma fortuna. A garçonete, trêmula, mal ousava respirar. Ela se arrependia amargamente de ter pedido para ele conferir a carteira.
Tentando encerrar o assunto, ela entregou o celular a ele. Alessandro sentou-se e guardou os pertences, mas algo ainda parecia errado. Ele não entendia. Ele havia sido gentil com o menino, chegara a ajudá-lo; por que a criança conspiraria contra ele? E como um garoto de quatro ou cinco anos teria uma ideia tão maquiavélica?
Seria tática de um concorrente tentando me desmoralizar?, questionou-se.
Enquanto sua cabeça fervilhava, um som súbito cortou o silêncio do restaurante: um gemido suave, rouco e extremamente ambíguo.
O restaurante, que havia acabado de se acalmar, parecia ter sido atingido por uma rajada de vento. Todos ficaram estáticos e os olhares voltaram-se, como imãs, para Alessandro. Sim, o som vinha dele. O toque do seu celular havia sido trocado por aquele gemido embaraçoso.
O telefone estava sobre a mesa, a tela brilhando, repetindo o som sem parar. Alessandro, em choque, demorou um segundo para processar antes de pegar o aparelho e desligá-lo bruscamente.
Maldito pirralho!
Ele teve certeza: o culpado era o pirralho. Embora tivesse desligado o aparelho o mais rápido possível, os sussurros já haviam começado a se espalhar como fogo em palha seca.
— Não se pode julgar um livro pela capa... Nunca imaginei que o Sr. Alessandro tivesse esses gostos — cochichou uma mulher.
— Pois é. Dizem que os ricos têm hobbies incomuns, mas vê-los assim, tão descaradamente, é raro — respondeu outra.
— O que quer dizer com isso? Que a criança simplesmente desapareceu no ar? Está sugerindo que estou delirando?
Ele soltou uma risada sarcástica. Ele não acreditava naquilo. O garoto era real. Ele o segurara nos braços, sentira o peso de seu corpo e, acima de tudo, aquele aroma de osmanthus que ainda parecia flutuar na ponta de seu nariz.
Como a criança não aparecia nas câmeras? Ele se lembrou perfeitamente do diálogo no banheiro.
"Onde está seu pai?", ele havia perguntado.
"Eu não tenho pai. Vim com a minha mãe. Mas ela é uma menina e não pode entrar aqui", o menino respondera com um olhar tão magoado que tocou o coração de Alessandro. Ele se sentira incapaz de recusar o pedido do garoto.
"Em que posso te ajudar?"
"Quero lavar as mãos, mas a torneira é muito alta. Você pode me levantar?"
Alessandro tinha se agachado e pegado o menino — o pequeno Lucca — no colo. Foi naquele momento que o aroma de osmanthus, misturado com um leve cheiro de leite, o cativou. Ele conhecia aquele perfume... estava em Luana.
Alessandro está começando a ligar os pontos!

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