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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 108

PABLO ALVES.

Tudo aconteceu rápido demais.

Um segundo, Victor ainda estava de pé, respirando aliviado, dizendo precisar voltar para casa. No outro, o corpo dele simplesmente cedeu, como se toda a força que o manteve vivo até ali tivesse ido embora de uma vez.

— Victor! — gritei, desesperado, tentando me levantar e ir até ele.

Mas senti uma mão firme no meu peito me impedindo.

— Senhor, não se mexa! — disse o enfermeiro, me segurando. — Fique onde está!

— Me solta! — rosnei, o pânico subindo pela garganta. — Ele caiu! Ele precisa de ajuda!

— Já estamos cuidando dele — respondeu o homem, firme, mas sem agressividade.

Vi dois médicos se ajoelharem ao lado de Victor. Um deles colocou rapidamente a mão em seu pescoço, verificando o pulso. O outro abriu a jaqueta dele e começou a examinar o tórax.

— Está inconsciente — disse um deles. — Pressão baixa.

— Pupilas reagindo irregularmente — falou o outro, apontando uma lanterna para os olhos de Victor.

Meu coração martelava no peito. Eu tentava enxergar melhor, mas tudo parecia confuso. O barulho das hélices, o vento gelado, a adrenalina… e o medo.

— Ele bateu a cabeça na queda — expliquei rápido. — Ficou a noite inteira acordado. Passou horas no frio.

O médico assentiu, concentrado.

— Há um corte aqui — disse, afastando o cabelo de Victor. — E um inchaço significativo.

Ele passou a mão com cuidado pelo abdômen dele, pressionando levemente.

— Ele pode estar com hemorragia interna, tem um ferimento no abdômen e fratura nas costelas — concluiu, sério. — Precisamos levá-lo imediatamente para o hospital.

— Agora — completou o outro médico. — Os dois. Preparem a evacuação — disse, firme.

— Os dois? — perguntei, confuso, pois achava que meu caso era só um braço quebrado.

— Você também precisa de atendimento — disse ele, olhando para meu braço. — Essa fratura não pode esperar. Precisa de uma cirurgia, e rápido, ou pode perder esse braço — declarou. Olhei assustado.

E não discuti. Não tinha forças nem cabeça para isso. Só conseguia olhar para Victor, imóvel, pálido demais, o rosto sujo de sangue seco e neve.

Eles o colocaram na maca com cuidado e começaram a levá-lo para o interior do helicóptero.

— Calma — disse o enfermeiro. — Estamos cuidando dele.

Meu braço estava queimando de dor. Senti algo ser aplicado no meu braço. Assim que entramos no helicóptero, as portas se fecharam e o piloto decolou quase imediatamente.

O voo foi um borrão. Acho que me deram um analgésico potente.

O médico falava termos técnicos, monitorava sinais vitais, ajustava equipamentos. Eu só conseguia olhar para Victor. Ele respirava, mas parecia frágil demais para alguém que sempre foi indestrutível aos meus olhos.

— Ele vai ficar bem? — perguntei, com a voz rouca.

O médico me olhou por um instante antes de responder.

— Ele chegou até aqui vivo — disse. — Isso já diz muito. Agora depende do atendimento rápido no hospital.

Houve um segundo de silêncio.

— Filho… — ele respirou fundo. — Graças a Deus.

— Estamos vivos pai. — Respondi, sentindo um peso enorme sair do peito. — Estamos no hospital. Mas Victor desmaiou. Está sendo avaliado agora.

— Meu Deus… — se preocupou, ele era como um pai para Victor, o viu crescer. — Ele está consciente?

— Não — respondi, engolindo em seco. — Mas está respirando. Os médicos estão cuidando dele.

— Onde vocês estão? E você como está? — perguntou, tentando parecer firme.

— No hospital central em Baker Lake. Mas vou precisar fazer uma cirurgia, porque quebrei meu braço.

— Estamos a caminho, a família Baltimor foi avisada e estão se preparando para partir. Mas não sabiam para que hospital iriam levá-los. Logo estaremos com vocês — disse ele, emocionado. — Filho, eu te amo, aguenta firme, papai está indo. — Disse meu pai com a voz embargada.

— Eu também, pai — respondi e sorri, antes de desligar.

Comecei a chorar, agradecendo por estar vivo e ser filho de Átila, ele era o melhor pai do mundo.

Fiquei alguns segundos olhando para o celular. Não quis dizer o real quadro de Victor, para não assustar a todos, mas ele não estava bem. Eu estava sendo preparado para a cirurgia. Aplicaram algo na minha veia que começou a me dar muito sono.

Olhei para a porta fechada que dava para o corredor e pensei em Victor.

E senti medo de perder o homem que não era só meu chefe.

Era meu amigo.

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