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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 111

ELISA RIVER

— Os pacientes estão em cirurgia… — começou o diretor.

Meu coração acelerou brutalmente, como se quisesse rasgar meu peito por dentro. Apertei Melissa contra mim instintivamente, sentindo meu corpo inteiro ficar tenso.

Ele continuou:

— Pablo chegou consciente. Victor perdeu os sentidos ainda no local do acidente. Ambos chegaram bastante debilitados.

Ele fez uma pausa. Uma pausa longa demais. Cruel demais. E quis bater nele.

Senti o sangue ferver. Meu estômago se revirou. Eu odiava aquela mania maldita que as pessoas tinham de rodear, de preparar terreno, como se isso diminuísse o impacto da notícia. Não diminuía. Só torturava mais.

— Pablo sofreu uma fratura exposta no braço, uma forte hipotermia e algumas escoriações — prosseguiu. — Ele está em cirurgia por causa do braço. Havia risco de perda do membro caso não fosse operado imediatamente.

Meu olhar foi direto para Átila. Ele parecia ter prendido a respiração desde o início. Ao ouvir aquilo, soltou o ar devagar, os ombros caindo um pouco, como se o corpo finalmente permitisse algum alívio.

— Que bom, meu amigo — disse Abigail, tocando a mão dele com carinho. — Fico aliviada em saber que Pablo está bem.

Atila assentiu, os olhos marejados, incapaz de falar naquele momento.

Mas eu já não aguentava mais.

— Senhor Augusto — a voz de Thomas saiu dura, impaciente —, estamos todos ansiosos e extremamente preocupados. Poderia dizer logo como meu irmão está?

Se ele não tivesse falado, eu falaria. O diretor pareceu desconfortável, ajeitou a postura, respirou fundo.

— Victor… — começou.

E parou. Foi o suficiente. Senti algo romper dentro de mim.

— Pelo amor de Deus, fala logo, porra! — disparei, a voz saindo mais alta do que eu pretendia. — Para com essa merda de suspense! Não está vendo que todo mundo aqui está desesperado? Eu juro que parto a tua cara se você parar mais uma vez!

O silêncio caiu como uma bomba.

O diretor se assustou visivelmente. Thomas e Eleonor me olharam chocados. Abigail arregalou os olhos. Ceci, ao meu lado, quase sorriu de nervoso.

Naquele momento, eu não estava mais me importando com o que pensavam de mim.

Eu estava grávida. Com uma criança no colo. Exausta. Assustada. Meu noivo, o homem que eu amava, havia sobrevivido a uma queda de avião, estava em uma sala de cirurgia, e poderia estar entre a vida e a morte, e aquele infeliz estava me torturando com pausas dramáticas.

— Você é quem? — perguntou o diretor, agora com um tom frio, me olhando de cima a baixo.

Antes que eu respondesse, Abigail deu um passo à frente.

Decisivas. Aquela palavra ecoou na minha mente como uma sentença.

E a espera, de novo, para nos torturar.

Senti um medo profundo, primitivo, me atravessar por inteiro. Um medo de perder tudo. De perder Victor, de perder o futuro que eu já tinha começado a imaginar. De criar meus filhos sozinha. De explicar para Melissa, um dia, quem era o pai dela.

Apertei minha filha contra o peito e fechei os olhos por um instante.

— Ele não vai morrer — murmurei, mais para mim mesma do que para os outros. — Ele prometeu voltar. E Victor Baltimor não quebra promessas.

Ceci apertou minha mão.

— Meu tio é forte — disse, com convicção. — Muito mais do que imagina.

Abigail levantou o rosto, os olhos vermelhos, mas firmes.

— Meu filho vai lutar — declarou. — Sempre lutou. E nós vamos esperar. Juntos, rezando para que ele fique bem.

Eu assenti, sentindo as lágrimas escorrerem silenciosas.

Mas, naquele instante, eu soube. O pior ainda não havia passado. Eu ainda poderia perdê-lo.

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