ELISA RIVER.
— Esperamos que sim. Mas o corpo dele passou por um trauma extremo. Precisamos aguardar a resposta nas próximas horas — explicou o médico, com a voz profissional, porém carregada de cautela.
Engoli em seco. Meu coração batia tão forte que parecia querer sair pela boca. Ainda assim, aquelas palavras traziam algo que eu não tinha até então: esperança. Victor estava vivo. Graças a Deus.
— Posso vê-lo? — perguntei, quase suplicando. Minha voz saiu baixa, frágil, como se qualquer tom mais alto pudesse quebrar aquele fio de esperança.
— Ainda não — respondeu ele, com firmeza. — Assim que for possível, avisaremos.
Assenti lentamente. As lágrimas escorreram sem eu conseguir impedir. Não eram apenas de medo, mas de alívio contido, de exaustão, de tudo o que eu havia segurado desde aquela manhã maldita.
— Obrigado, doutor — agradeceu Thomas, num tom sério, respeitoso, mas visivelmente abalado.
O médico assentiu e se afastou, deixando para trás um silêncio pesado.
Victor estava vivo. Era tudo o que importava naquele momento. Mas eu sabia, no fundo, que a luta dele ainda não havia terminado. Aquela era apenas mais uma etapa de um caminho incerto e cruel.
Senti uma mão pousar em meu ombro. Era a senhora Abigail. Seus olhos estavam vermelhos, mas havia algo firme em sua expressão, uma força silenciosa que sempre me impressionava.
— Ele vai sair dessa, Elisa — disse, com convicção. — Meu filho é forte. E sei que está lutando pela vida.
Assenti, incapaz de responder. A emoção entalava na garganta. Tudo o que estávamos vivendo era demais para qualquer pessoa, ainda mais para mim, grávida, com uma criança pequena nos braços. Meu corpo começava a dar sinais claros de cansaço.
Meus braços doíam de segurar Melissa por tanto tempo. Eu poderia colocá-la na cadeirinha de transporte, que estava na poltrona ao lado. Sabia disso. Mas não conseguia. Precisava senti-la ali, colada a mim. O calor do corpinho dela, o cheirinho familiar, a respiração tranquila contra o meu peito. Era aquilo que me mantinha minimamente sã, minimamente inteira.
— Querida — começou Thomas, aproximando-se da esposa —, por que você não leva minha mãe, Cecília e Elisa para o hotel para descansar um pouco? Eu e Atila ficamos aqui. Qualquer notícia, avisamos imediatamente.
Ele abraçou Eleonor, que parecia à beira do colapso.
— Eu não vou a lugar nenhum enquanto não vir o Victor — afirmei, sem pensar duas vezes. Minha voz saiu firme, quase defensiva.
As palavras dele me atingiram. Me senti ainda pior. Como se estivesse falhando em tudo ao mesmo tempo. Me sentia uma péssima mãe.
— Eu vou com vocês — disse minha sogra, depois de alguns segundos. — Não vou poder fazer nada agora. O médico não vai liberar acompanhantes na UTI. Melhor descansar, recarregar as forças e voltar depois.
Assenti. Não tinha mais energia para discutir.
Saímos do hospital, deixando Thomas e Atila para trás. Atila disse que ficaria, aguardando a liberação para entrar no quarto do filho. Pablo não estava na UTI, então logo poderia ser acompanhado. Aquilo doeu. Invejei Atila por um segundo. Ele podia ver o filho. Eu não sabia quando poderia ver meu amor de novo.
O caminho até o hotel foi silencioso. Cada uma de nós perdida em seus próprios pensamentos. O barulho do vento lá fora parecia reforçar a sensação de vazio.
Eu odiava aquela espera. Odiava aquela incerteza. Não sabíamos se Victor iria acordar, se sairia do coma, se haveria sequelas. E a pergunta que eu mais temia, aquela que eu não queria sequer formular, rondava minha mente sem piedade.
E se ele não acordasse?
A simples possibilidade me dilacerava por dentro.

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