VICTOR BALTIMOR.
Minha mãe me olhou assustada.
— Meu filho, se acalme — pediu minha mãe, apreensiva. — Não tome decisão precipitada.
— Não quero essa mulher aqui, mãe — declarei, sentindo a irritação crescer dentro de mim. — Nem agora, nem depois. Não permitam a visita dela, nem daquela criança barulhenta. — Falei o final me dirigindo a Antunes.
Ninguém respondeu de imediato. Olhei ao redor e vi expressões tensas e preocupadas. Minha mãe parecia à beira do choro. Meu irmão me encarava como se eu tivesse acabado de dizer algo imperdoável. Cecilia me olhava com mágoa e Eleonor com pesar. Ainda assim, ninguém me contradisse.
O médico pigarreou.
— É melhor respeitarmos o desejo do paciente — disse com cuidado. — Ele precisa de tranquilidade neste período. Qualquer estresse pode prejudicar seu estado.
— Exato — concordei, sentindo a exaustão me dominar. — Já estou confuso o suficiente.
Minha mãe se aproximou da cama e segurou minha mão.
— Victor… — começou, com a voz embargada. — Aquela mulher…
— Mãe — interrompi, firme. — Eu disse que não quero falar sobre isso.
Ela fechou a boca, claramente se controlando.
— Está bem — disse, por fim. — Vamos respeitar seu momento.
Mas eu vi nos olhos dela o quanto aquilo a destruía.
— O que aconteceu comigo? — perguntei, mudando de assunto. — Ninguém respondeu direito ainda.
Meu irmão respirou fundo.
— Houve um acidente — disse. — O avião em que você estava caiu.
Franzi a testa.
— Avião? — Perguntei com uma mistura de choque e descrença.
— Você estava voltando de uma viagem — completou. — Graças a Deus, você sobreviveu e ainda ajudou outros passageiros.
— Aquela criança… — murmurou. Parecia querer dizer algo mais, mas desistiu. — Ela é linda e é sua cópia perfeita.
— Não me importa — respondi, seco. Mas meu coração acelerou, eu não havia visto o rosto do bebê.
Ela balançou a cabeça inconformada e saiu, a porta se fechou logo atrás dela.
Fiquei sozinho. O silêncio era quase ensurdecedor.
Fechei os olhos, tentando organizar meus pensamentos, mas a imagem da mulher saindo apressada com o bebê nos braços insistia em voltar. O choro, o olhar dela, a sensação estranha no meu peito.
— Você é um problema, Elisa — pensei. — Seja quem for.
E, ainda assim, por mais que minha razão gritasse que tudo aquilo era um golpe, meu corpo parecia discordar. Eu sentia algo estranho só de pensar nela e naquela criança.
E isso… isso me incomodava mais do que qualquer dor física.
— Será que é verdade?

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