ELISA RIVER.
A palavra ainda ecoava dentro da minha cabeça como um sino quebrado. Hipertensão.
Fiquei encarando a doutora Verônica, sentindo meu coração bater tão forte que parecia querer sair pela garganta. Minha respiração ficou curta, irregular. Eu conhecia aquele termo. Conhecia bem demais.
— Hipertensão…? Eu não posso ter isso agora — falei, a voz fraca, quase sem sair.
A doutora Verônica assentiu com seriedade e se aproximou um pouco mais da cama.
— Sim, Elisa. No seu caso, trata-se de uma hipertensão gestacional desencadeada por estresse emocional intenso — explicou, com cuidado. — Seu corpo entrou em estado de alerta constante, e isso elevou sua pressão arterial.
Levei a mão ao peito, sentindo um aperto sufocante.
— E… o que isso significa? — perguntei, mesmo já sabendo parte da resposta.
Eleonor estava ao meu lado, completamente pálida. Seus olhos estavam marejados, e a mão dela apertava a minha com força, como se estivesse tentando me manter ancorada ali.
— Significa risco — respondeu a médica, com franqueza. — Risco para você e para os bebês.
Engoli em seco.
— Que tipo de risco? — insisti.
— A hipertensão na gravidez pode evoluir para quadros mais graves, como pré-eclâmpsia — continuou firme. — Pode comprometer o fluxo de sangue para a placenta, afetar o crescimento dos fetos, provocar parto prematuro… e, em casos extremos, colocar a vida da mãe e dos bebês em perigo.
Senti o mundo girar.
— Não… — murmurei, sentindo as lágrimas brotarem. — Eu não posso perder meus filhos.
— E não vai — afirmou ela rapidamente. — Detectamos cedo. Isso faz toda a diferença.
Eleonor respirou fundo, tentando se manter firme.
— O que pode ser feito? — perguntou, com a voz trêmula.
— Vamos iniciar um tratamento imediato para controle da pressão — explicou a médica. — Medicação segura para gestantes, acompanhamento frequente e, principalmente, mudança de hábitos.
— Mudança de hábitos? — repeti.
— Repouso, alimentação controlada, nada de esforço físico excessivo — enumerou. — E o mais importante: evitar fortes emoções.
Soltei uma risada curta, sem humor.
— Evitar fortes emoções… — repeti, desacreditada. — Como se isso fosse possível.
O doutor Antunes pigarreou, demonstrando desconforto.
— Elisa… — chamou, com cautela. — É justamente sobre isso que precisamos conversar.
Meu coração acelerou ainda mais.
— O que foi? — perguntei, já em alerta.
— Sei que é difícil para você. Mas temos que pensar nos bebês. — disse a médica. — Minha prioridade é com você, Elisa, e com eles.
— Eu não vou embora — declarei, sentindo o coração disparar. — Não vou abandonar o Victor agora. Eu preciso estar aqui para que ele me veja e se lembre de tudo.
— Isso não é abandono — insistiu Eleonor, já com a voz embargada. — É proteção, para Victor e voce.
— Proteção que dói — rebati. — Que machuca. Que separa.
— Elisa, por favor, tente entender… — disse o doutor Antunes.
— Eu entendo demais — interrompi. — Entendo que querem me afastar do homem que eu amo, no momento mais difícil da vida dele.
— Não é isso — falou ele, com a voz baixa.
— É exatamente isso! — respondi, sentindo as lágrimas escorrerem livremente. Eu sabia que estava sendo egoísta em pensar só no que eu estava sentindo. — Vocês não sabem o que é olhar para alguém que você ama e perceber que ele não faz ideia de quem você é.
O silêncio tomou conta do quarto por alguns segundos. Eu só queria poder ficar ao lado dele e esperar que se lembrasse.
Então, a porta se abriu.
Todos viraram o rosto ao mesmo tempo.
— Você vai embora, sim — disse minha sogra com a voz firme, carregada de autoridade. — E vai voltar para casa.
Meu coração gelou ao ouvir que ela disse.

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