VICTOR BALTIMOR.
Minha mãe colocou a mão na boca. Vi o terror em seus olhos. Meu pai havia falecido de insuficiência respiratória. Eu sabia exatamente o que aquele possível diagnóstico representava para ela. Minha mãe sofreu muito no período em que meu pai esteve hospitalizado e não saiu em nenhum momento do lado dele.
— Isso não… doutor…
— Isso é apenas uma suspeita, senhora Baltimor — disse ele, tentando manter minha mãe calma. — Vamos investigar. Pode ser insuficiência, ou algo decorrente das costelas quebradas, ou do trauma no tórax. Precisamos aguardar os exames. Por enquanto, vamos mantê-lo no oxigênio, para deixá-lo mais confortável.
Ele terminou de explicar e começou a se afastar, aparentemente pronto para sair do quarto. Afastei a máscara do meu rosto e o chamei.
— Doutor…
Ele se virou imediatamente.
— Victor, evite falar e mantenha a máscara no rosto.
— Preciso saber… o que você foi contra?
— O quê?
— Você… disse para minha mãe que foi contra e sabia que eu ficaria assim — falei, já me sentindo extremamente cansado.
— Meu filho, melhor não ficar falando — disse minha mãe, lançando um olhar apreensivo para o médico.
Aquele olhar confirmou minhas suspeitas, eles estavam escondendo algo de mim.
— Victor, não vamos pensar nisso agora — respondeu Antunes, tentando evitar a conversa.
— Se não disser… eu te mando embora agora do meu hospital — declarei com dificuldade.
O que falei pareceu assustar o médico. Ele engoliu em seco.
— Sinto muito, senhora Abigail, mas não posso perder meu emprego — disse ele para minha mãe antes de voltar o olhar nervoso para mim. — Fui contra a senhorita Elisa entrar aqui no seu quarto, enquanto você dormia, já que proibiu a entrada dela e ela lhe deixou irritado e agitado da última vez que esteve aqui. Então disse ser contra. Eu sabia que isso prejudicaria sua recuperação, mas fui obrigado a acatar as ordens de sua mãe. E veja no que deu.
Minha mãe o fuzilou com os olhos. Conhecendo minha mãe, eu sabia que ela deveria querer esganar Antunes naquele momento.
Mas fiquei olhando para os dois, surpreso.
Tentei tirar o acesso imediatamente, mas fui impedido pela minha mãe, que segurou meu braço.
— Não, filho. Não faça isso. É para o seu bem, querido.
Minha visão começou a ficar pesada, meu corpo também. A droga estava agindo rápido demais.
— Não… — murmurei, tentando resistir.
Eu precisava ficar acordado. Precisava ver Elisa e descobrir se aquela mulher que invadiu meus sonhos… e minha cabeça, era ela.
Mas minhas pálpebras estavam ficando pesadas. Minha força desaparecia a cada segundo.
A última coisa que ouvi foi a voz da minha mãe, baixa, quase um sussurro perto do meu ouvido.
— Você ainda vai me agradecer.
E então tudo ficou escuro.

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