ELISA RIVER.
Ceci e Eleonor estavam comigo organizando tudo para a chegada de Victor.
— Precisamos deixar tudo pronto antes que eles cheguem — disse Ceci, olhando a lista que havíamos feito.
— O quarto dele já foi preparado — respondeu Eleonor. — A cama hospitalar chegou pela manhã.
Assenti, mas algo ainda me preocupava. Lembrei do que minha sogra falou.
— Tem uma coisa que pode ser um problema.
As duas me olharam ao mesmo tempo.
— O quê? — perguntou Eleonor.
Respirei fundo.
— Victor não poderá subir a escada.
As duas trocaram um olhar rápido e preocupado, pois do terceiro andar havia sido preparado ontem.
— Ele não vai permitir ser carregado — continuei. — Vocês sabem como ele é.
Eleonor franziu a testa.
— Verdade. Então, o que faremos?
Eu já havia pensado nisso.
— Existe um quarto no térreo.
As duas me olharam com atenção.
— Ele é grande — continuei. — Dá para locomover a cadeira de rodas com facilidade. E Victor não vai precisar depender dos outros para subir e descer escadas.
Ceci assentiu imediatamente.
— Você tem razão, Eli. Meu tio ficará mais confortável aqui no térreo e sem depender tanto de um enfermeiro. Eu o conheço e sei que detesta ser dependente.
— Victor odiaria ficar chamando alguém toda hora — acrescentei.
Eleonor já parecia convencida.
— Então vamos preparar esse quarto.
— Sim… já pousaram e estão a caminho.
Eleonor colocou a mão no meu ombro.
— Vai dar tudo certo. — disse com carinho. Eu queria acreditar nisso.
Trinta minutos depois, que pareceram uma eternidade, ouvi automóveis chegando do lado de fora. Meu coração disparou.
Minutos depois, uma funcionária passou apressada pela sala de estar, onde estávamos sentadas, para abrir a porta principal.
O som da maçaneta girando ecoou pela casa. Meu coração saltou no peito em antecipação. Primeiro veio a senhora Abigail. Ela entrou com passos firmes, mas seu rosto estava carregado de emoção e cansaço.
E atrás dela estava meu amado. Ela sorriu para mim e saiu ligeiramente da frente. E então pude vê-lo.
Victor estava sentado em uma cadeira de rodas, sendo empurrado por Thomas.
Por um instante, o mundo inteiro pareceu parar. Seus olhos encontraram os meus imediatamente.
O ar faltou nos meus pulmões. Meu corpo inteiro ficou imóvel. Era como se eu estivesse suspensa no ar naquele momento.
Finalmente, meu amor chegou.

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